Rodamos 460 km com o novo Kait, aposta da Nissan nos SUVs compactos
Com vocação familiar, mecânica conhecida (a mesma do Kicks Play) e bom espaço interno, o modelo chega para brigar com Tera, Pulse e Kardian
A grande disputa do momento no mercado automotivo brasileiro é pela categoria dos SUVs compactos, segmento de entrada de utilitários que tem recebido alguns dos principais lançamentos, como o Tera, da Volkswagen, e o Kardian, da Renault, que chegaram para disputar espaço com o Pulse, da Fiat. Nessa briga, a Nissan está apostando alto no Kait, novo modelo que substitui o Kicks Play, versão de entrada, usando a mesma plataforma, mas com novo visual e mais tecnologias. Rodamos cerca de 460 quilômetros com o novo Kait para entender como ele está posicionado para encontrar seu espaço no aquecido segmento.
O modelo, criado no Brasil e produzido na fábrica de Resende, no Rio de Janeiro, é um lançamento global e faz parte da estratégia da Nissan de reforçar o papel do país no futuro. “Essa é uma prova da confiança que a marca tem no Brasil como país e como operação e no potencial para o crescimento futuro da empresa em nível global”, afirmou Gonzalo Ibarzábal, presidente da Nissan do Brasil, no evento de lançamento, realizado em dezembro de 2025.
A motorização é a mesma do Kicks Play. São 113 cv e 15,2 kgfm com corrente de comando e câmbio CVT que simula seis marchas. É um conjunto confiável e já bastante testado no mercado brasileiro. Mas o Kait ganhou novo eixo traseiro, molas e amortecedores. O acabamento interno ficou mais sofisticado, com diversas superfícies macias ao toque.
O novo Kait é vendido em quatro versões: Active, de entrada, Sense, Advance Plus e Exclusive – essa, topo de linha, não existia no Kicks Play. Os preços começam em R$ 117.990 para a Active, R$ 135.590 para a Sense Plus, R$ 149.890 para a Advance Plus e R$ 152.990 na versão Exclusive, com o pacote mais robusto de tecnologias, incluindo alerta de ponto cego, detecção de pedestres e frenagem autônoma, controle de cruzeiro adaptativo.
Pelo preço, ele briga com Tera, Pulse e Kardian. Mas pelo porte (são 4,30 metros de comprimento e entre-eixos de 2,62 metros), acaba disputando com outros modelos de uma categoria superior, como o T-Cross. E essa é uma das suas principais vantagens.
No dia a dia, o espaço interno é um dos grandes diferenciais do Kait. Quem viaja na segunda fileira vai com bastante conforto. Há espaço de sobra para as pernas e para a cabeça. O porta-malas de 432 litros é generoso, inclusive por seu desenho interno. Cabe realmente muita coisa, de malas grandes a sacolas de compras.
Pela vocação familiar, seu comportamento na cidade é mais tranquilo. Nada de acelerações agressivas ou números impressionantes de 0 a 100 km/h. Seu motor de 113 cavalos de potência é voltado para quem quer um carro com mecânica conhecida e confiável, sem grandes emoções. A limitação de potência fica ainda mais clara na estrada. As ultrapassagens precisam ser feitas com um pouco mais de planejamento. O consumo reflete seu perfil urbano. Na cidade, faz cerca de 11 km/l com gasolina e 8 km/l com etanol. Na estrada, faz 13 km/l com gasolina e cerca de 10 km/l com etanol. É um bom companheiro para o dia a dia e encara viagens – só não dá para esperar performance.
O Kicks foi um marco importante da estratégia da Nissan no Brasil. Fez – e ainda faz – bastante sucesso e é sinônimo de espaço e confiabilidade a preços competitivos. Agora, o Kait chega com o desafio de manter essa tradição, enquanto o Kicks subiu de patamar. E tem bons predicados para encontrar seu lugar no disputado segmento dos SUVs compactos. Especialmente as versões mais básicas, que perdem algumas tecnologias e detalhes de acabamento, mas compensam pelo bom espaço interno e pelo porta-malas generoso, algo que pode ser determinante na escolha de algumas famílias.





