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Por André Sollitto
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Como o mais popular dos parques temáticos do país quer atrair visitantes

Localizado no interior de SP, o Hopi Hari enfrentou dificuldades financeiras e mudanças de gestão, mas tenta recuperar o prestígio com eventos e atrações

Por André Sollitto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 10 Maio 2024, 08h20 - Publicado em 26 out 2023, 08h35

Mesmo antes de as placas da Rodovia dos Bandeirantes indicarem a entrada para o parque, já é possível ver a gigantesca montanha-russa no horizonte. Maior estrutura de madeira do tipo da América Latina, a Montezum, ajudou a consolidar o apelo do Hopi Hari desde que foi inaugurada, em 1999. A fama se mantém até hoje, quase 24 anos depois. A mais recente edição da pesquisa Top of Mind Awareness, feita pelo instituto IPESO, de São Paulo, apontou que para 42,2% dos entrevistados o Hopi Hari é a marca mais forte quando se fala em parques temáticos, bem à frente de concorrentes como o Beto Carrero e o Parque da Mônica.

Mas como está o parque hoje? Após tanto tempo, após uma pandemia que o manteve fechado, após mudanças na gestão e imbróglios financeiros? Pegamos a estrada e fomos conferir de perto.

Mas, antes, um pouco de história. Seu ambicioso projeto foi iniciado pelo Grupo Playcenter, e era para o espaço se chamar Playcenter Great Adventure. Mas foi vendido ainda no período das obras, e a empresa GP Investimentos assumiu a operação. O nome mudou e foi escolhido o conceito temático do parque: um país fictício, com diferentes regiões e até uma língua própria, o hopês (quem visitou o lugar nos primórdios lembra do dicionário Michaelis de hopês-português). O objetivo era replicar o sucesso do Magic Kingdom, na Disney, e atrair uma parcela do público que encarava a viagem até Orlando só para brincar nas atrações.

Apesar do sucesso de público, o parque nunca rendeu o esperado. Acumulou dívidas ao longo de dez anos, em 2009, mudou de gestão. Assumiu Luciano Corrêa, que se tornou presidente do Hopi Hari. Houve melhorias, como uma parceria com a Warner Bros que trouxe personagens famosos como Pernalonga e Frajola e heróis da DC Comics. Mas também aconteceu um acidente que marcou a história do parque. Em setembro de 2012, a adolescente Gabriella Nichimura, de 14 anos, caiu do brinquedo La Tour Eiffel, uma das principais atrações, instalada logo na entrada do parque. O Hopi Hari ficou fechado por 23 dias, onze pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil e o brinquedo foi fechado — e não reabriu até hoje.

Atrações clássicas do parque, como La Mina del Joe Sacramento, na região de Wild West, continuam funcionando -
Atrações clássicas do parque, como La Mina del Joe Sacramento, na região de Wild West, continuam funcionando (André Sollitto/VEJA)

Em 2017, quando o empresário José Luiz Abdalla comprou todas as ações de Corrêa e assumiu a dívida do parque, avaliada em mais de R$ 700 milhões, o Hopi Hari estava arrasado. Os salários estavam atrasados, não havia seguro para acidentes, diversas atrações estavam fechadas e até o fornecimento de luz havia sido cortado. Seu plano era revitalizar o parque, construir um complexo hoteleiro e um centro de convenções. Entrou com um pedido de recuperação judicial e conseguiu uma linha de crédito, mas o projeto não avançou.

A gestão atual, cujo acionista majoritário é o Brooklyn International Group, assumiu em 2019, meses antes da pandemia, às vésperas da realização a Hora do Horror, importante fonte de receita. O parque, novamente, estava à beira de fechar as portas. “Tivemos que dar uma repaginada e, com um valor menor do que se fazia, tivemos um ótimo resultado”, afirma Alexandre Rodrigues, atual presidente do Hopi Hari. “Fechamos o ano com bom faturamento e liquidamos algumas dívidas. Mas em 2020 veio a pandemia.” O parque, assim como cinemas, teatros, casas de show e outros espaços de entretenimento, ficou com as portas fechadas. Em 2021, veio a reabertura parcial, com eventos como o Horror Drive Tour. No ano passado, o plano de recuperação judicial foi homologado, e os pagamentos dos credores voltaram a ser feitos. Ainda há questões tributárias a serem resolvidas, mas o negócio está andando. É apenas uma versão bastante resumida de uma história complexa.

Hoje, quem visita o Hopi Hari tem boas surpresas. O principal atrativo do momento é a Hora do Horror. De quinta a domingo, o parque fica aberto até 20h30 e, a partir das 18h, é tomado por atores vestidos com fantasias assustadoras, além de duas atrações temáticas, uma nova (Templo Tenebris) e a outra reformada (Katakumb). É uma tradição do Hopi Hari que acontece desde 2002, sempre com temas diferentes. Neste ano, a inspiração veio do Egito, com múmias, deuses e faraós. Há um espetáculo musical, que acontece em um grande palco, e decorações específicas espalhadas por duas regiões do parque. São mais de 130 atores em cena, e a caracterização está caprichada. Percorrer o parque à noite, com iluminação diferente e com monstros correndo por todos os lados, vale o ingresso. O evento acontece até o dia 20 de novembro, e as entradas custam entre R$ 139 e R$ 159 no site ou R$ 235,90 na bilheteria (valores cheios, mas há meia-entrada e gratuidades).

Além das atrações temáticas, há um espetáculo musical dentro da programação da Hora do Horror -
Além das atrações temáticas, há um espetáculo musical dentro da programação da Hora do Horror (André Sollitto/VEJA)

Quem não quer aproveitar o clima de terror pode curtir as outras áreas, que funcionam normalmente. As filas dos brinquedos não são enormes, quase todas as atrações estão funcionando normalmente, o atendimento é sempre cortês e há opções justas de alimentação.

Há, no entanto, alguns problemas. As atrações, quase todas inauguradas junto com o parque, há 24 anos, continuam iguais. E elas mostram os sinais da passagem do tempo. A segurança, de acordo com a administração do parque, está em dia. A certificadora internacional Tuv Nord, que presta serviços para parques temáticos do mundo inteiro, foi contratada para inspecionar todos os brinquedos, que passaram nos testes. Um pouco da magia do início das operações também se perdeu. A sensação de entrar em um país diferente foi diluída, especialmente durante o dia. À noite, com os atores circulando, a antiga fagulha ainda aparece.

De acordo com o presidente, Alexandre Rodrigues, o momento é de reconstrução. O objetivo é reformar totalmente entre três e quatro atrações clássicas. A Katakum foi uma delas, bem como o Katapul, cujo trilho faz uma volta completa e os passageiros ficam de cabeça para baixo. Em breve, a área de fantasia será reformada e o palácio será fechado para reconstrução. “A cada vez que o visitante volta ele verá coisas diferentes”, afirma Rodrigues. A própria La Tour Eiffel deve ser inaugurada, agora com o nome Le Voyage. Além disso, três novas atrações de médio porte serão inauguradas ainda em 2023, no final de novembro. Outras serão lançadas nos próximos anos, de acordo com os resultados financeiros. Eventos temáticos, como o Natal Mágico, também devem ajudar a atrair novos visitantes.

A previsão é receber 1,2 milhão de pessoas por ano. Seriam pouco mais de 6.000 por dia de operação, considerando que o parque não abre todos os dias. O número, embora bastante inferior ao do auge, em meados de 2011, quando até 24.000 pessoas passaram pelo Hopi Hari em um único dia, é justificado. “Com tanta gente, fica desconfortável para o visitante”, diz Rodrigues. Além disso, o público é menor, mas gasta mais dentro do parque. E, em breve, novas parcerias devem ser anunciadas. “O ano de 2024 será muito importante”, afirma o presidente do Hopi Hari.

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