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Paulo Cezar Caju Por Paulo Cezar Caju O papo reto do craque que joga contra o lugar-comum

Homenagem aos times do subúrbio, parte 2

Recebi alguns puxões de orelha por não ter lembrado de alguns craques do futebol informal carioca. Espero não ser traído pela memória desta vez...

Por Paulo Cezar Caju Atualizado em 26 Maio 2020, 10h38 - Publicado em 25 Maio 2020, 18h25

Óbvio que recebi alguns puxões de orelha por não ter lembrado de alguns craques na crônica que fiz sobre os times do subúrbio. Jorge Lasperg acrescentou na lista Ivo Sodré e Badu, no São Cristóvão, Alves e Clair, no Campo Grande, Mário Breves e Itamar, na Portuguesa, e Jair Pereira e Morais, no Bonsucesso. João Antônio Soares lembrou do Mateus, reserva do Aladim, do Bangu. Olha só, o pessoal lembra até dos reservas! Fernando Cesar Monteiro Mattos lembrou do Zé Mario, a quem chamo de Dustin Hoffman, no Olaria, e Reinaldo Smoleanschi, de Sena, do Madureira.

São incontáveis craques, assim como vi na praia, no soçaite e no futebol de salão. Um deles foi Álvaro Canhoto ou Álvaro Garrincha, que, por sinal, estava revoltado com um ranking publicado listando os 100 melhores jogadores de futebol de salão de todos os tempos. E tinha total razão. Se não constavam Aécio e Serginho, do Vila, Tamba e Vevé, esqueça, essa lista não tem qualquer credibilidade. O próprio Álvaro deveria fazer parte. Do salão, saiu Pintinho, do América, toda a família de Zico, do Juventude, Zé Mário, do Magnatas, eu, meu irmão Fred, Antônio Carlos e o goleiro Borrachinha, do Vasco.

Comecei no Flamengo e vi muitos craques, os bairros tinham clubes com times muito fortes, como O Melo, Imperial, Sampaio Correia, Minerva/Helênico, os Tijucas, os Grajaús. Vi o Carioca, do Jardim Botânico, com Álvaro Canhoto, Elmo, Chiquinho, Serginho e Zezinho, o Flu, de Eurico Loiro, Mário Sérgio, Ricardo Chacal, Branco e Djalma, o Fla, de Moacir Vinhas, Orlando Vinhas, Bebeto, Zanoni e Khalil. Vi Antônio Carlos, do América, que jogou uma barbaridade, e admirei Tamba, que já falei aqui, um dos melhores que vi e que me aplicou uma das mais dolorosas goleadas.

A verdade é que os boleiros estavam espalhados por todas as modalidades. Basta lembrar como ficava o Aterro do Flamengo, apinhado de gente, para presenciar o Embalo do Catete, de Luisinho, e o Ordem e Progresso, de Cacá. Na praia, os times atraíam milhares de torcedores e turistas para assistir os embates entre Tatuís e Lagoa, por exemplo. O Lagoa era um timaço, com Dadica, Salgado, Lula, um cracaço, Pepe, Joninha, Gugu e Marcelo. E o Radar, de Eurico Lira?

Na praia, vi Bavani, Geraldo Mãozinha, Jorge Davidson, o Baba, Armando Monteiro, Patada e Nelsinho, do Botafogo. Tinha o Lá Vai Bola, de Renato, Santoro, Tubarão e Cesar, e o Copaleme, de Vitinho, Paulo Pelicano e Fernando Canalongo, o Guaíba de Leoni, o Grêmio, de Ricardo, General e Ligeireza, e o Dínamo, de João Carlos Barroso, claro que minha memória pode estar me traindo em alguns detalhes. Seu Edu criou o Columbia, time que eu e meu irmão Fred jogamos por muitos anos na companhia de Lauro, Bosco, Juarez, Feijão, Paulada, Fred Foca, Bira, Bada, Nena, Agnaldo, Ivan, Marcelo, Gilo e Roberto. Também lembro que criamos o Gerashow, em homenagem a Geraldo, do Flamengo, que morreu durante uma operação de amígdala. Era um time de soçaite e jogávamos no Federal, Piraquê, Monte Líbano e Caiçaras, do craque Zé Britto.

Nessa época de quarentena reviramos nossos baús e sentimos saudade desse tempo de praias cheias e o sol abençoando a todos. Agora, me vejo em minha sala, sozinho, álcool em gel do meu lado, assistindo jogos do Campeonato Alemão, bons jogos, sem torcida. Na mesa, um álbum da Copa de 1970 e uma foto do time do Botafogo, com Manga & cia. Na poltrona, um casaco da seleção brasileira. Faço dele um travesseiro, me deito no sofá e choro tentando entender o que fizeram com o nosso planeta. A quarentena está acabando e a minha preocupação é ter que ouvir novamente os jargões dos comentaristas, como “quebrar a bola”, “leitura de jogo” e por aí vai.

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