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O Som e a Fúria

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Três tendências de moda e música que a Jovem Guarda trouxe ao Brasil

Movimento completa 60 anos em 2025 e ainda ecoa na moda e nos sons 'vintage' hoje abraçados pela Geração Z

Por Thiago Gelli Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 ago 2025, 07h30 • Atualizado em 22 ago 2025, 08h58
  • Pernas expostas, cabelo loiro ondulado, botas de cano alto e microfone na mão — quem vem lá? Wanderléa, a eterna ternurinha, ou a novata americana Sabrina Carpenter? Sessenta anos após o advento da Jovem Guarda no Brasil, as marcas de estilo e comportamento dos mais ousados baby boomers sobrevivem como tendências vintage abraçadas pela Geração Z e comprovam o charme duradouro do movimento, que trouxe para os trópicos o visual dos brotos dançantes do rock do Hemisfério Norte. Relembre três das principais afetações da onda na qual surfaram Roberto e Erasmo Carlos, Ronnie Von e outros músicos .

    Minissaia

    Em 1958, a estilista inglesa Mary Quant passou a experimentar com o comprimento das tradicionais saias femininas a pedido de suas clientes, cujas coxas sentiam falta da luz do dia. Assim se popularizou uma peça de roupa ao redor do globo: a minissaia. Dez anos depois, o item foi parte da caracterização de Jane Fonda no erótico e cômico Barbarella, que retratava a atriz como guerreira interestelar fashionista. Quem viu o filme e gostou foi uma das mais importantes cantoras da Jovem Guarda: Wanderléa. “Eu disse: ‘Nossa, isso é maravilhoso. Quero fazer igual e quero ter uma minissaia igual à dela’, relembrou ela em entrevista a VEJA em 2023. Aderida por ela, a moda pegou, foi parar nos cabides de lojas prêt-à-porter e se tornou símbolo da libertação feminina.

    Guitarra elétrica

    Com a Jovem Guarda, a música brasileira ganhou seu próprio nicho de artistas devotos à guitarra elétrica, instrumento essencial para os grandes atos da cultura Mod, como os Beatles e The Who. O movimento sintonizava a sonoridade radiofônica nacional com a estrangeira e até mesmo se debruçava sobre a tradução de faixas originalmente em inglês. Splish Splash, de Bobby Darin, virou hit homônimo de Roberto Carlos, enquanto a banda Renato e seus Blue Caps fez sucesso com várias versões abrasileiradas de sucessos ingleses e americanos. Quem não gostou nada disso foi um setor da MPB encabeçado por Elis Regina, que enxergava nos anglicismos uma recusa à tradição nacional e uma guinada apolítica em plena Ditadura Militar apoiada pelos Estados Unidos. O posicionamento rígido culminou na Marcha contra a Guitarra Elétrica em 1967, mas perdeu força rapidamente. Meses depois, lideranças da MPB como Caetano Veloso já apresentavam faixas com o instrumento e anunciavam a chegada da eclética Tropicália.

    Órgão Hammond

    As inovações sonoras da Jovem Guarda, contudo, não pararam por aí. Menos popular, mas tão elétrico quanto, o órgão Hammond é uma adaptação mecânica do tradicional órgão de tubos e visava substituí-lo em residências e locações que não comportassem seu antecessor de grande escala. O instrumento foi primeiro cooptado por músicos de jazz, depois descoberto pelos alucinantes idealizadores do rock progressivo. No Brasil, quem melhor o empregou foi o tecladista Lafayette Coelho, que foi habitué da emblemática Rua do Matoso, pilar da cena rock, e colaborou com Roberto e Erasmo Carlos nos anos 1960.

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