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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Thomas Mann

Psicanálise da Vida Cotidiana

Por Carlos de Almeida Vieira
29 Maio 2019, 12h00 • Atualizado em 30 jul 2020, 19h42
  • Lutaste sempre com a tua identidade.

    Alemão burguês, ariano e mestiço (brasileiro).

    Sofreste a violência da burguesia e dos intelectuais

    [da pretensa raça pura]

    Outsider, degenerado, artista, doente, gênio.

     

    Mostraste ao povo germânico a beleza da alma,

    a sanidade, a loucura, a doença,

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    fizeram de ti um artífice da Arte

    [unindo o individual ao social]

    A intelectualidade não destrói o coração!

     

    Aschenbach sentiu nas veias o vazio do Narcisismo,

    Viver à procura do seu gêmeo emprobrece o Eu.

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    Castorp rebelou-se na planíce e na montanha

    Encontrou seu verdadeiro Ser.

     

    A doença, a loucura, fontes da criatividade.

    A simbolização da dor encontra o sentido e o alívio do sofrer,

    A mortalidade te aproximou da transitoriedade e,

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    Resgataste o Tempo, o tempo do viver e do estar-sempre-sendo.

     

    Fizeste pacto com Demônio em Fausto,

    Viajaste, foste em busca de outras cidadanias,

    restou o Thomas, alemão, mestiço, humano  e artista.

    A geografia não define identidade.

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    Dos seus gritos de rebelde, ainda que burguês,

    Mostraste ao mundo a salvação(?),

    pela Ciência, as Artes, o Humanismo.

    Mostraste que a real essência humana é a miscigenação.

     

    Fiscaste famoso, ícone do pensamento universal, príncipe da

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    Verdade, junto aos degenrados, pobres, artistas e loucos-sanos.

    A Alemanha é depois de ti.

    O mundo tem em si guerreiro constante

    defendendo a  violência da racionalidade e a

    paixão insana dos românticos fundamentalistas.

     

    Oh! Thomas Mann que nossos jovens lhe ignora.

    Oh! Thomas Mann que os políticos não te leem.

    Oh! Gênio que denunciou a faqueza dos onipotentes(?)

    Oh! Alemão, burguês, anti-ariano e mestino

    que  transformaste  os homens vindos da estupidez alemã,

    sem perder o senso-comum da fragilidade humana!

     

    Carlos de Almeida Vieira é alagoano, residente em Brasília desde 1972. Médico, psicanalista, escritor, clarinetista amador, membro da Sociedade de Psicanálise de Brasília, Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e da International Psychoanalytical Association 

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