A necessidade da política
O governo do Presidente Bolsonaro contribui para erosão do capital político conquistado nas urnas
Qualquer organização social onde existam divisão de trabalho e hierarquia, haverá quem manda e quem obedece. Esta é a origem do poder do homem sobre o homem. E na forma mais ampla e complexa da organização social, a Política define as regras, escritas ou não, que determinam a natureza e a forma das relações sociais.
Em síntese, a Política é essencial ao funcionamento das sociedades ao buscar o bem comum por meio do Estado e do conjunto de instituições que têm como fonte a vontade popular e como fim a harmonia, a paz social e o bem-estar dos cidadãos.
Sem adjetivações, “nova” ou “velha”, Afonso Arinos de Mello Franco, afirmou: “Não há, então, Política boa ou má: o que há é Política e não-Política. Quando o Estado não busca o bem comum, não se pode dizer que esteja fazendo Política, senão que está exercendo um tipo de poder que não o político”.
De outra parte, os politólogos se dividem ao conceituar Política como “ciência da governação dos Estados” ou como “arte e prática da governação das sociedades humanas”.
Tomando por base as referências mencionadas, é legítimo o cidadão brasileiro indagar diante da conjuntura nacional: os governantes têm buscado o bem comum ou o interesse coletivo? A ação de governar tem a ver com os postulados das ciências ou as habilidades requeridas pelas artes?
A resposta é: não! O Brasil tem sido vítima de gestões desastrosas e permeadas por monumentais delitos contra a administração pública. De outra parte, o Art. 2º da Constituição Federal estabelece: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.
Com efeito, o governo do Presidente Bolsonaro contribui para erosão do capital político conquistado nas urnas e cria um ambiente desfavorável para a agenda estratégica do País. Ao ampliar dissensos e conflitos numa velocidade espantosa, o governo aprofunda incertezas e compromete um projeto capaz de reverter a crise brasileira.
Paralelamente, a disputa de um protagonismo político exacerba a relação entre os poderes preconizada pelo Estado Democrático de Direito.
É preciso compreender que a sociedade brasileira mudou. Anseia por mudanças. O seu combustível é uma cidadania ativa que demonstrou sua força mobilizadora em episódios recentes. Exigirá com o clamor das ruas que a Política realize o bem comum.
Não existem mais os “bestializados” que, nas palavras de Aristides Lobo, assistiram aos acontecimentos da proclamação da república “julgando ver talvez uma parada militar”.
Gustavo Krause é ex-ministro da Fazenda







