Desmatamento no Cerrado cresce e tem maior área devastada desde 2016
Taxas de destruição do bioma crescem pelo quarto ano consecutivo; governo lançou plano de ação
O Cerrado perdeu 11.011 quilômetros quadrados de vegetação nativa entre agosto de 2022 e julho de 2023, a maior área devastada desde 2016. Segundo dados do Prodes, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número representa um aumento de 3% em relação ao período anterior.
Ao contrário do que aconteceu na Amazônia, onde o desmatamento caiu, as taxas de devastação do bioma seguem crescendo pelo quarto ano consecutivo. Os dados foram divulgados em um evento do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, em Brasília, no qual também foi divulgado o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento no Cerrado (PPCerrado).
Segundo os números do Prodes, os estados que mais desmataram foram Maranhão (2.929 km²), Tocantins (2.234 km²), Bahia (1.972 km²) e Piauí (1.128 km²), em uma região conhecida como Matopiba, importante fronteira agrícola do país. Segundo a ONG WWF Brasil, os índices de desmatamento nessa região evidenciam a relação entre o avanço da produção de commodities e a destruição ambiental.
A entidade também ressalta que os números resultam de um aumento crítico da vulnerabilidade climática, ambiental e social e da falta de fiscalização. “Enquanto presenciamos ações efetivas e queda de desmatamento na Amazônia, os dados para o Cerrado estão na contramão. Considerado a savana com maior biodiversidade do planeta, ele é também um dos biomas mais ameaçados, pois conta com uma proteção ambiental mais frágil e, consequentemente, com sucessivos recordes de desmatamento”, afirma Edegar de Oliveira, diretor de Conservação e Restauração do WWF-Brasil.
Sem negacionismo
O governo federal lançou nesta terça-feira, 28, a quarta fase do PPCerrado, que inclui ações específicas de combate ao desmatamento no bioma, mais fiscalização e expansão das áreas de proteção. O projeto tem como objetivo “coordenar e/ou alinhar o planejamento dos grandes empreendimentos e projetos de infraestrutura e de desenvolvimento na região, com a meta de desmatamento zero até 2030”.
O anúncio dos dados e do plano de ação ocorreu às vésperas da COP28, a conferência do clima da ONU, que acontece a partir desta quinta-feira, 30, nos Emirados Árabes. “Nós fizemos questão de colocar o dado antes da viagem, exatamente para mostrar que não é com negacionismo que se resolve o problema, é fazendo diagnóstico e apresentando soluções, como lançando já no primeiro ano o PPCerrado, feito em tempo recorde”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
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