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Aliados em SP pressionam Doria a renunciar ao governo antes de abril

Avaliação é que o governador precisa começar logo a percorrer o país para se firmar como o nome da terceira via; tucano, porém, não cogita antecipar a saída

Por Bruno Ribeiro Atualizado em 7 dez 2021, 14h00 - Publicado em 7 dez 2021, 13h51

Aliados de João Doria (PSDB) em São Paulo vêm tentando convencer o governador do estado a renunciar antes do limite do prazo legal para desincompatibilização do cargo, no dia 2 de abril de 2022, para concorrer à Presidência. A avaliação é que, enquanto estiver “preso” à gestão de São Paulo, o tucano não pode percorrer o país — deixando solto o primeiro concorrente direto na disputa para ser o “nome da terceira via”, o ex-juiz Sergio Moro. Além disso, tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o ex-governador Ciro Gomes (PDT) também já estão livres, enquanto Jair Bolsonaro, como presidente, pode percorrer o país sem deixar o gargo.

A tese, que está sendo levada ao Palácio dos Bandeirantes por membros do União Brasil (fusão do DEM com o PSL, que, em São Paulo, dá como certo o apoio à campanha do vice-governador Rodrigo Garcia à reeleição) é que Doria deveria deixar o cargo até o fim do primeiro bimestre e se mudar para Brasília. Assim, teria contato mais próximo com presidentes e dirigentes de outros partidos, o que facilitaria a composição de alianças. Também poderia percorrer os demais estados sem ter de se preocupar com a administração de São Paulo, em uma estratégia para reduzir os altos índices de rejeição que são tidos, por ora, como principal motivo para que outras legendas relutem em embarcar no projeto presidencial do tucano.

No Palácio dos Bandeirantes, no entanto, a tese não vem encontrando abrigo. Segundo auxiliares de Doria, o tucano está 100% focado na administração do estado desde o término das prévias do PSDB, e corre agora para garantir uma série de entregas de obras e novos serviços até abril, quando será obrigado a deixar o cargo. Há inclusive uma viagem internacional, à China, com expectativas de anúncios de investimentos de empresas chinesas no estado. Desse modo, ele pretende ficar no cargo até o limite que a legislação permitir.

A equipe de Doria ainda constrói como será a saída do tucano em abril. Um dos objetivos é mitigar eventuais impactos negativos que o movimento possa trazer. A memória é a saída da Prefeitura de São Paulo em 2018, que desagradou à população, e fez com que ele perdesse a eleição para o governo na capital paulista, um luxo que ele não poderá se dar na disputa do ano que vem.

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