A submersão de Tarcísio após o duro ataque ao STF na Avenida Paulista
Governador de São Paulo optou por agendas fechadas nos primeiros dias da semana, em meio à reta final do julgamento de Bolsonaro na Corte
Após subir o tom no discurso recheado de críticas pesadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante ato bolsonarista na Avenida Paulista, no último domingo, 7, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidiu, ao que parece, submergir na semana do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro na Corte.
Ao contrário da semana anterior, na qual Tarcísio foi a Brasília — e recebeu aliados em São Paulo — como principal articulador do projeto que concede anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro, o governador optou nos últimos dois dias por permanecer na capital paulista e participar de eventos reservados.
Na segunda-feira, 8, Tarcísio esteve na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para o lançamento da nova etapa do Acordo Paulista, programa de renegociação de dívidas tributárias. Em seu discurso, falou sobre temas como as privatizações e concessões da sua gestão, sem citar a anistia ou o próprio Supremo.
Já nesta terça-feira, 9, estavam previstas na agenda oficial apenas reuniões com secretários e empresários, no Palácio dos Bandeirantes.
Críticas
Em sua fala na manifestação na Avenida Paulista, Tarcísio pressionou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para colocar em pauta o projeto de anistia, e fez duras críticas ao julgamento sobre tentativa de golpe de estado que corre no Supremo. Em uma escalada no discurso, o governador disse que o processo se dá sobre um crime que “não existiu” e chamou o ministro Alexandre de Moraes de “ditador” e “tirano”.
As falas suscitaram crítica de ministros da Corte. Gilmar Mendes rebateu, dizendo que o que o país não aguenta mais são tentativas de golpe, destacou que não há nenhuma ditadura de toga e que magistrados não agem como tiranos.
Já o ministro Luís Roberto Barroso afirmou que o julgamento de Bolsonaro e aliados próximos segue a legislação atual e tem transparência, ao contrário do período da ditadura militar (1964-1985). “Tendo vivido e combatido a ditadura (militar), nela é que não havia devido processo legal público e transparente, acompanhado pela imprensa e pela sociedade. Era um mundo de sombras. Hoje, tudo tem sido feito à luz do dia. O julgamento é um reflexo da realidade”, disse Barroso.





