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Como a coceira da dermatite atópica impacta a vida de crianças e adultos?

Principal sintoma da doença não é apenas desconfortável, mas um fator que compromete diretamente a qualidade de vida; condição não tem cura

Por Alessandra Nogueira*
16 set 2025, 08h00 •
  • A dermatite atópica é uma doença de pele crônica e de origem genética que atinge milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Ela causa ressecamento, inflamação e uma coceira intensa, que vai muito além de um simples incômodo, pois pode afetar de forma significativa a qualidade de vida. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a dermatite é um dos problemas de pele mais comuns e o prurido (coceira) é o seu principal sintoma, que pode piorar com o clima seco, calor, suor, uso de produtos químicos, banhos muito quentes, tecidos sintéticos e situações de estresse.

    Mas o impacto da coceira vai muito além da pele. Quando ela é mais intensa à noite, o sono é prejudicado, o que afeta o bem-estar emocional e a produtividade no dia seguinte. Para muitos adultos, essa falta de descanso se traduz em dificuldade de concentração, lapsos de memória, maior irritabilidade e queda no desempenho no trabalho. Em dias de crise, não é raro que haja afastamento das atividades profissionais ou a necessidade de adaptar a rotina para lidar com o desconforto.

    A coceira persistente também pode causar constrangimento, já que as lesões e o ato frequente de coçar chamam a atenção, levando algumas pessoas a evitar interações sociais, encontros e até atividades físicas, o que, a longo prazo, pode contribuir para o isolamento e afetar a autoestima.

    Nas crianças, os efeitos se estendem para o rendimento escolar e a socialização. A privação de sono causada pelo prurido noturno reduz a atenção em sala de aula, prejudica o aprendizado e interfere na memória. Durante o dia, o incômodo constante pode limitar a participação em atividades lúdicas, esportivas e recreativas, afastando a criança de momentos importantes de interação com colegas. Além disso, o ato repetido de coçar pode causar feridas e inflamações, exigindo cuidados médicos frequentes e, em alguns casos, levando à ausência escolar.

    Esses impactos físicos e emocionais evidenciam que a coceira não é apenas um sintoma desconfortável, mas um fator que compromete diretamente a qualidade de vida. Interromper o ciclo do prurido, portanto, é fundamental para devolver ao paciente — seja ele adulto ou criança — noites de sono mais tranquilas, maior disposição e a possibilidade de viver plenamente suas atividades diárias. Segundo dados recentes, 75% dos profissionais de saúde acreditam que cessar o ciclo da coceira é essencial para trazer alívio a quem convive com essa condição atópica.

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    Nos últimos anos, estudos mostraram avanços importantes no controle da dermatite atópica. Um levantamento recente apresentado no American Academy of Dermatology (AAD) e feito em diferentes países reuniu seis pesquisas clínicas: três realizadas nos Estados Unidos com 73 pacientes, uma na Polônia com 48 pacientes e uma na China com 44 pacientes. Esses estudos avaliaram o uso de cremes e loções específicas para a pele com dermatite atópica, formulados com uma tecnologia que combina ácido pirrolidona-carboxílico de sódio, arginina e extrato natural de ophiopogon japonicus.

    Os produtos foram aplicados de uma a duas vezes por dia, por períodos entre 14 e 28 dias. O resultado foi animador: houve uma redução de até 90% na intensidade da coceira. A média de prurido caiu de quase seis pontos no início para menos de um ao final do estudo. Isso mostra como escolher produtos hipoalergênicos, sem fragrância e corantes, e formulados para fortalecer a barreira cutânea da pele atópica, pode fazer toda a diferença no alívio rápido e duradouro dos sintomas.

    A aprovação de drogas especificas para o tratamento da dermatite atópica, como imunobiológicos inibidores de mediadores inflamatórios como IL-4, IL-13 e IL-31 e pequenas moléculas tem sido vital para um manejo avançado da doença e a possibilidade de marcadores de melhora clínica.

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    Sendo assim, controlar a dermatite exige uma rotina constante de cuidados. Manter a pele limpa é essencial, optando por banhos curtos, com água morna e sabonetes específicos para peles sensíveis, que ajudam a evitar o ressecamento e a irritação. A hidratação deve ser feita logo após o banho para preservar a barreira de proteção natural da pele, e reaplicada ao longo do dia sempre que houver necessidade. Além disso, cuidar da saúde mental é parte fundamental do tratamento. Praticar técnicas como meditação, ioga e exercícios de respiração contribui para reduzir o estresse, um dos principais gatilhos para o agravamento das crises.

    Evitar coçar é igualmente importante: além de aumentar a inflamação, isso pode danificar a barreira da pele e facilitar a entrada de bactérias, levando a infecções. Para aliviar a coceira sem machucar a pele, vale recorrer a compressas frias, cobrir a área com um pano limpo e usar cremes ou loções específicos para peles atópicas.

    Durante o Mês da Conscientização sobre a Dermatite Atópica, a mensagem principal é clara: identificar os sinais cedo e procurar orientação médica especializada é fundamental. Apesar de não ter cura, a dermatite atópica pode ser controlada. Com o tratamento certo e cuidados diários, é possível ter longos períodos sem crises e viver com mais conforto e qualidade de vida. Cada pele reage de um jeito, por isso observar os gatilhos e seguir um plano de cuidados personalizado com o acompanhamento de um médico dermatologista é a melhor estratégia para manter os sintomas sob controle.

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    *Alessandra Nogueira é médica dermatologista, formada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), da Academia Americana de Dermatologia (AAD) e e diretora de Medical Affairs da Galderma

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