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As crianças são vítimas do sistema – devemos protegê-las

Por um discurso de mais amor e menos ódio: todos somos co-responsáveis na formação de uma sociedade mais justa

Por Mauro Fisberg
11 mar 2019, 12h57
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  • Em todos os desastres, ou pelo menos nos sistemas de contingência, sempre ouvimos a famosa frase- crianças, gestantes e idosos primeiro.  Visando sempre salvar os mais vulneráveis, o mote acabou virando figura contrária, e o que vemos em todos os instantes, é que os mais frágeis são as grandes vítimas de qualquer catástrofe, seja humana, seja da natureza ou do imponderável, quando juntamos a ação das forças naturais ao mau preparo ou a maldade intrínseca do ser humano.

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    Assim, quando discutimos problemas resultantes de enchentes, tornados, ventos, chuvas, secas, desabamentos ou problemas políticos como eleições ou golpes de estado, migrações, guerras, atentados ou lunáticos, sem contar as doenças por acaso ou por falta de intervenção, são sempre as crianças, os idosos,  as gestantes e as minorias que pagam o preço. Com uma exceção clara, as mulheres são maioria no mundo e pagam o preço como todas as minorias.

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    Em algum lugar estamos errando e condenando nosso futuro a algo de difícil previsão.  Gerações de crianças que deveriam ter uma excelente qualidade de vida, com maiores recursos a acesso a saúde, educação e sobrevivência digna, talvez vivam menos que as gerações anteriores, por problemas preveníveis como as doenças da pobreza e da abundância.  

    Infância ameaçada

    A desnutrição aparece não mais em anúncios de organizações não governamentais em locais longínquos do planeta, mas em nossos quintais, em nossas periferias, dentro de nossas casas.  Por falta de comida ou por falta de nutrientes, por escolhas inadequadas dos adultos quase sempre. A fome oculta não é oculta por que a anemia afeta quase metade das nossas crianças pequenas, a carência de minerais leva a alterações do crescimento e da Inteligência, e o comer seletivo leva a deficiências de vitaminas e minerais que impactarão em nosso futuro. A obesidade afeta crianças cada vez mais cedo e de forma inexorável.

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    Os nossos adolescentes são o reflexo desta criança problemática e os sobreviventes serão pessoas com excesso de peso, risco de apresentarem problemas no aprendizado, comportamento e de doenças futuras.  Engravidando, sem cuidados adequados no período pré natal, aumentarão as taxas de prematuridade, partos inadequadamente orientados, aumento das complicações do período perinatal, e riscos de uma população recém nascida que apresentará problemas epigenéticos (relacionadas ação do ambiente especialmente nutricional na nossa carga genética), e riscos de hipertensão, obesidade e alterações metabólicas.

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    Futuro em risco

    Hoje estamos diante de problemas complexos que ao invés de proteger nossas crianças, as deixamos mais expostas. A tentativa de redução arbitrária da maioridade penal sem qualquer medida de educação ou recuperação, a possibilidade de modificar o Estatuto da Criança e do Adolescente, o acesso a armas dentro de casa, a utilização de crianças difundindo mensagens políticas, parecem medidas sem discussão adequada por parte de toda a sociedade.

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    Vemos massacres feitos por adolescentes, vemos crianças sendo massacradas dentro das escolas. O tráfico de drogas usa crianças como seus mensageiros ou autores de crimes, sabendo que dificilmente serão punidas. E todos sabemos que crianças também podem ser violentas.

    O discurso do ódio que vemos nas escolas de determinados grupos em diferentes regiões do mundo, ensinando a matar oponentes e reduzindo o conteúdo escolar a projetos de modificação em massa do raciocínio único, faz lembrar fatos recentes da história da humanidade. E sabemos o drama do Holocausto, sendo as crianças as vítimas recorrentes. E vemos crianças sendo treinadas para matar, inclusive seus próprios parentes, em diferentes regiões africanas.

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    Dever de proteger

    A criança é frágil. Ela tem de ser fortalecida no seio da família, amada independentemente, querida e desejada desde a formação. A família tem de estar preparada para todas as atribuições da paternidade e maternidade, independentemente de sua composição. A escola tem de estar preparada para incluir, educar e orientar, sem substituir o papel da família. E a sociedade tem de estar desenvolvida para amparar a criança sem ódios, sem desigualdades, e dando oportunidades.  O estado deve prover ou dar condições de provimento.

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    Todos somos co-responsáveis na formação de uma sociedade mais justa. Uma sociedade em que a criança possa andar na rua, possa brincar, possa usar todos os meios de comunicação de forma saudável e responsável, e tenha o direito de não ter doenças ou aflições que poderiam ser prevenidas.  Uma sociedade que permita o perdão e que descarte o ódio, o grito, a ofensa, a briga, como instrumentos de persuasão. Talvez assim nossas crianças deixem de ser vítimas, agressoras ou perpetuadoras, para serem cidadãs conscientes e com pleno potencial de vida, permitindo uma sociedade menos infantil e também menos decrépita.

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