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José Casado Por José Casado Informação e análise

Pazuello: o general infrator é um atrapalhado alquimista político

Sigilo centenário confirmado ontem no processo disciplinar revela muito mais do que governo e Forças Armadas pretendem ocultar em cem anos de segredo

Por José Casado Atualizado em 21 jan 2022, 04h13 - Publicado em 21 jan 2022, 09h00

Representantes de sete ministérios se reuniram para atestar a validade do sigilo de cem anos — ou seja, até o ano 2122 — imposto pelo Exército ao processo disciplinar do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde.

Em maio do ano passado, Pazuello foi a um comício eleitoral de Jair Bolsonaro, no Rio, subiu no palanque e até discursou. Foi uma pública transgressão do código militar que proíbe manifestações político-eleitorais de oficiais da ativa.

O comandante do Exército, Paulo Sergio Nogueira de Oliveira, decidiu não punir Pazuello.

O Alto Comando defendeu o sigilo do caso durante um século para “preservar a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem” do general delinquente.

A Controladoria-Geral da União acrescentou outra justificativa: para resguardar “os preceitos constitucionais da hierarquia e da disciplina no âmbito das Forças Armadas”.

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Os motivos alegados para legitimar o sigilo de cem anos no processo sugerem que entre a realidade, a lei, o Estado e as instituições, o governo e o comando das Forças Armadas escolheram a ficção.

Confirmam o inusitado: o general infrator é um atrapalhado alquimista político. Segundo o anúncio oficial, ele teria conseguido transformar seu caso de evidente transgressão disciplinar num episódio de risco à estabilidade constitucional — e com prejuízos elevados à imagem das Forças Armadas, dentro e fora dos quartéis.

Paradoxalmente, o sigilo centenário confirmado ontem no processo Pazuello revela muito mais do que se pretende ocultar em cem anos de segredo.

Entre outras coisas, mostra como o groucho-marxismo tem razão quando diz que a Justiça Militar está para a Justiça assim como a música militar está para a música.

No atual estado de liquefação institucional fica difícil discordar de Marx, o Groucho — pseudônimo do humorista americano Julius Henry Marx, falecido em 1977.

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