Netflix anuncia patrocínio milionário à Cinemateca através da Lei Rouanet
Empresa vai usar o mecanismo de fomento federal pela primeira vez em projeto de restauração da instituição
A Netflix anunciou um patrocínio de 5 milhões de reais para a revitalização da Cinemateca Brasileira, em São Paulo. O dinheiro será usado na reforma da sala de cinema Oscarito, e foi captado através da Lei Rouanet, que fornece incentivo fiscal a empresas privadas que fomentem projetos culturais. “Esperamos que essa primeira parceria também consiga estimular outras empresas a entrarem nessa iniciativa público-privada para apoiar a preservação desse patrimônio do cinema brasileiro”, declarou a vice-presidente de conteúdo Elisabetta Zenatti, em um evento para a imprensa na terça-feira, 1.
A parceria com a Cinemateca marca a primeira vez desde sua chega ao Brasil que a Netflix utiliza o mecanismo federal de fomento à cultura. Inaugurada em 1997, a Oscarito foi a primeira sala de projeção da atual sede da instituição, e deve passar por uma reforma completa. Segundo Maria Dora Mourão, diretora-geral da Cinemateca Brasileira, as obras possibilitadas pelo patrocínio incluem adequações às legislações vigentes, melhorias nas instalações técnicas, modernização do sistema de climatização e da acessibilidade e a adoção de novas tecnologias que permitam que o local se transforme em uma “sala de referência” no quesito audiovisual.
A parceria segue o modelo já estabelecido pela Netflix com a cinemateca da França, que serviu de incentivo para que a Cinemateca Brasileira também buscasse o apoio do streaming. “A Cinemateca tem essa peculiaridade de ser um um espaço que tem fomento garantido parcialmente via orçamento federal, mas ela tem essa necessidade de complementação muito relevante de entrada de recursos via parcerias privada, então a gente tem um papel nisso também”, explica Mariana Polidorio, diretora de Políticas Públicas da Netflix no Brasil.
O projeto, no entanto, ainda não tem data para sair do papel. Isso porque, o aporte feito pela Netflix faz parte de um projeto maior, estimado em 30 milhões de reais, que inclui uma série de outras restaurações na Cinemateca, entre elas a recuperação de alvenarias, climatização de espaços técnicos e áreas de pesquisa, entre outros pontos. Deste montante, foram captados até o momento 6 milhões, entre Netflix e Itaú. Um aporte maior, de 10 milhões, está em processo de negociação com o BNDES. “A obra será iniciada somente quando tivermos pelo menos 50% dos recursos”, explica Dora, estimando que a reforma comece no final do ano.
Fundada a partir de um clube de cinema criado em 1946, a Cinemateca Brasileira concentra hoje o maior acervo de filmes da América do Sul, com mais de 60.000 títulos em processo de preservação de 1 milhão de documentos que registram a história do audiovisual nacional. Ela reabriu para o público em 2022, após quase um ano e meio de portas fechadas. Desde então, os projetos de restauração tem crescido no local.
Acompanhe notícias e dicas culturais nos blogs a seguir:
- Tela Plana para novidades da TV e do streaming
- O Som e a Fúria sobre artistas e lançamentos musicais
- Em Cartaz traz dicas de filmes no cinema e no streaming
- Livros para notícias sobre literatura e mercado editorial





