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Educação em evidência

Por João Batista Oliveira Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O que as evidências mostram sobre o que funciona de fato na área de Educação? O autor conta com a participação dos leitores para enriquecer esse debate.

De volta às aulas: as escolas particulares são boas?

Desempenho absoluto de nossos melhores alunos é equivalente ao desempenho médio dos alunos dos países desenvolvidos

Por João Batista Oliveira 9 mar 2017, 14h31 | Atualizado em 4 jul 2026, 10h28
De volta às aulas: as escolas particulares são boas? Priorize VEJA no Google

Esta é a famosa pergunta cuja resposta vale 1 milhão de dólares.  E não vale responder “depende”.  Nem dizer “de um lado…. por outro lado”.  Afinal, as escolas particulares no Brasil são boas ou não?

Comecemos pelos números: as matrículas nas escolas particulares, da creche ao final do ensino médio, representam 18,0% do total.  São 36,4 % na creche, 25,0 % na pré-escola, 16,2 % no ensino fundamental e 13,0 % no ensino médio.  Como a maioria dos alunos são pagantes podemos afirmar que a maioria dos alunos das escolas particulares provêm das classes A e B (ABEP/IBGE, 2014) e alguns poucos da classe C.

A proporção de matrículas no ensino privado tem variado pouco ao longo dos últimos vinte anos, portanto podemos concluir que as crises econômicas não afetam muito o comportamento das famílias em relação ao ensino privado – trata-se de uma prioridade.

O que as famílias valorizam na escola?  Possivelmente a resposta comum a todos será: uma boa educação.  O diabo mora nos detalhes: o que significa “uma boa educação” vai variar muito de família e de escola.  Para muitas será um lugar perto de casa;  para outras, um lugar mais seguro, previsível e confiável; para algumas um lugar acolhedor ou que dá atenção individualizada;  para outras um lugar que assegure um bom preparo para o vestibular – e por aí vai.  Cada cabeça uma sentença.

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Uma das formas de avaliar a “qualidade” da escola é medindo o desempenho dos alunos.  Há um desempenho absoluto – o que eles sabem ou em que vestibular conseguiram passar.  E há um desempenho relativo – que leva em conta a origem socioeconômica dos alunos.  Isso é importante porque a família em que a criança nasce e os amigos com quem o jovem convive explica muito do seu desempenho escolar.

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O que dizem as evidências?  Em termos de desempenho relativo há algo a favor das escolas particulares: alunos de nível socioeconômico mais baixo têm resultados melhores nas escolas particulares do que nas públicas. Há algo no ensino ou no ambiente dessas escolas que leva esses alunos a se esforçar mais e aprender mais.

Mas em termos de desempenho absoluto a maioria das escolas privadas brasileiras, inclusive as de elite, são medíocres. O desempenho absoluto de nossos melhores alunos, cuja maioria estuda nas nossas melhores escolas, é equivalente ao desempenho médio dos alunos dos países desenvolvidos. Ou seja, a escola acrescenta pouco ou nada e exige pouco, inclusive de alunos que provêm de ambientes mais favorecidos. Ou seja: o ensino no Brasil é muito fraco, mesmo na maioria das chamadas “boas escolas” – a maioria esmagadora das quais são escolas privadas.

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