Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 5,99
Imagem Blog

Coluna da Lucilia

Por Lucilia Diniz Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Um espaço para discutir bem estar, alimentação saudável e inovação

Fogo que arde sem se ver

O contentamento descontente que, na mesa, só a pimenta dá.

Por Lucília Diniz
26 out 2023, 17h52 • Atualizado em 10 Maio 2024, 08h19
  • É um fogo que arde sem se ver. Tomo emprestada a expressão de Camões, mas não é do amor que quero falar. É da pimenta. Pensei nela ao ver, na semana passada, que o Guinness anunciou a nova campeã da ardência.
    A Pepper X, como foi batizada, é criação do mesmo agricultor americano, Ed Currie, que desenvolveu a recordista anterior, a Carolina Reaper. A caçula é 1 milhão de pontos mais endiabrada que sua antecessora, na escala Scoville, que mede ardor. Tem 2,69 milhões – uma malagueta varia de 50 a 100 mil pontos.
    Mas para que tanto fogo? É que, de novo como no famoso soneto português, o tempero, como o sentimento cantado em seus versos, causa um contentamento descontente. A gente gosta, mas reclama. Ou reclama, mas gosta.
    Seu emprego na cozinha é antigo. Nativa das Américas, já era cultivada e utilizada quando os europeus nem sonhavam que, deste lado do oceano, havia terras por explorar. Os indígenas valorizavam não só o sabor dos frutos, que secavam ao sol e moíam, mas suas características ornamentais e propriedades medicinais.
    Como tantos outros alimentos, as pimentas foram parar na Europa após a chegada de Colombo. Naquela época, o grande aditivo das carnes era o sal, usado para conservá-las. Então foram muito bem-vindos os novos sabores que as diferentes pimentas davam – só no México há 64 tipos nativos, dos quais descendem 200 variedades.
    Foi naquele momento de forte intercâmbio comercial que ela chegou a outras partes do mundo. Hoje não se concebe a culinária da Índia e do Sudeste Asiático sem seu ardor.
    Ela se espalhou também no imaginário. Diz-se da pessoa espevitada que é “uma pimenta”. Se alguém faz pouco de um problema alheio, pode ouvir de volta que “pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Quando se quer dar mais calor a um relacionamento, fala-se em “apimentar a relação”. E por aí vai: se seu ardor é evocado tanto para o bem quanto para o mal, é porque as metáforas espelham a controvérsia que ele inspira. É um desses sabores que se ama ou se odeia.
    O que o faz tão particular é uma substância que se chama capsaicina. Quando comemos pimenta, ela faz os nervos enviarem sinais de dor e calor ao cérebro. O tal fogo invisível começa na língua. Diferente do que acontece com outra planta ardida, o wasabi, cuja queimação se dá principalmente no nariz, o ardor da pimenta é prolongado. Por isso, é muito comum que o último bocado de um prato “quente” seja o mais picante.
    Mas, mesmo se o ardido dura na boca, a gente também se acostuma a ele. Com o tempo, a tolerância aumenta, e fica mais fácil encarar um prato muito temperado.
    É que o composto da pimenta aos poucos acaba anulando as sensações de dor e calor. Aliás, devido a isso, é usado para pomadas analgésicas e anti-inflamatórias. Estudos dizem ainda que ela acelera o metabolismo, que diminui a pressão e até que pode ajudar o sistema imune. Os indígenas tinham razão.
    Não quer dizer que, se você não aprecia, tem que colocá-la na dieta. Agora, se gosta do sabor, pode se valer também desses outros benefícios. Mas não é uma panaceia – e, como tudo, se consumida em excesso, pode irritar o estômago. Diferentemente do calor do amor, o da pimenta não é para todo mundo.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    RESOLUÇÕES ANO NOVO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.