Peixe exótico usa dentes na cabeça para prender fêmea durante acasalamento
Parentes distantes dos tubarões vivem nas águas frias do Pacífico e têm a testa coberta por sete ou oito fileiras de dentes afiados e retráteis
Pesquisadores da Universidade de Washington fizeram uma descoberta surpreendente: encontraram fileiras de dentes crescendo na cabeça de um peixe conhecido como peixe-rato-pintado (Hydrolagus colliei), um parente distante dos tubarões que vive nas águas frias do Pacífico Norte. Esses dentes ficam sobre uma estrutura cartilaginosa situada entre os olhos, chamada tenáculo, usada pelos machos durante o acasalamento para se segurar na fêmea.
Até agora, acreditava-se que dentes só poderiam se formar dentro da boca dos animais vertebrados, como peixes, répteis e mamíferos. Mas o novo estudo, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, mostra que os dentes do tenáculo são dentes de verdade, com polpa, dentina e o mesmo tipo de tecido encontrado nas nossas próprias arcadas dentárias.
Como esses dentes funcionam?
O tenáculo é exclusivo dos machos adultos. Em repouso, ele parece apenas um pequeno caroço branco na testa. Quando o peixe está em movimento, o tenáculo se alonga e se transforma em um gancho coberto por sete ou oito fileiras de dentes afiados e retráteis, que o ajudam a se fixar à fêmea durante a cópula. Esses dentes são flexíveis o bastante para não machucar a parceira, mas resistentes o suficiente para manter o contato enquanto nadam. É uma adaptação essencial para espécies que, como os tubarões e as quimeras, não contam com braços nem pernas para auxiliar no acasalamento.
Os cientistas acompanharam o desenvolvimento dessa estrutura desde as fases iniciais da vida do peixe, usando técnicas de imagem em alta resolução e análises genéticas. Eles observaram que o tenáculo cresce a partir das mesmas células que formam os dentes dentro da boca, o que comprova que a origem dos dois tipos de dentes é a mesma.
O que isso revela sobre a evolução?
Além de estudar exemplares atuais, os pesquisadores analisaram fósseis de peixes antigos e encontraram indícios de que estruturas semelhantes já existiam há milhões de anos. Isso sugere que os “dentes da testa” podem ser um vestígio antigo da evolução, preservado em espécies modernas. O tenáculo parece ter mantido um tecido especial chamado lamina dentária, responsável por gerar e substituir os dentes, algo que, nos humanos, desaparece depois que os dentes permanentes crescem.
Com isso, a descoberta ajuda a recontar a história evolutiva dos dentes. Em vez de terem surgido apenas na boca, eles podem ter aparecido em diferentes partes do corpo e sido adaptados para funções variadas ao longo do tempo; desde triturar alimentos até facilitar a reprodução.





