Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90
Imagem Blog

Almanaque de Curiosidades

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Para quem quer ir além da notícia no mundo da ciência e tecnologia

Flechas de 60 mil anos revelam uso de veneno por caçadores pré-históricos

Toxinas vegetais aplicadas nas flechas tinham ação gradual, estratégia que ajudava os caçadores a seguir animais feridos até a captura

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 jan 2026, 13h15 •
  • Um conjunto de pequenas pontas de flecha encontradas na África do Sul trouxe a evidência mais antiga já registrada do uso de veneno em armas de caça. Análises químicas revelaram que caçadores que viveram há cerca de 60 mil anos aplicavam toxinas de plantas em suas flechas para ferir e acompanhar presas até que o efeito químico fizesse o animal sucumbir.

    As flechas foram escavadas ainda em 1985 no abrigo rochoso de Umhlatuzana. Durante décadas, os artefatos permaneceram em coleções de museu, até que um grupo internacional de pesquisadores decidiu reexaminar dez pontas que ainda apresentavam resíduos visíveis.

    Essas peças são micrólitos de quartzo, com marcas microscópicas de impacto que indicam seu uso como projéteis. A datação das camadas arqueológicas onde foram encontradas aponta para cerca de 60 mil anos atrás.

    O que os cientistas descobriram?

    Cinco das dez pontas analisadas continham buphanidrina, e uma delas também apresentou epibuphanisina, que são dois alcaloides tóxicos presentes nas folhas da planta Boophone disticha, abundante no sul da África e documentada historicamente como fonte de veneno de flechas.

    A comparação com flechas etnográficas envenenadas, coletadas há cerca de 250 anos, mostrou o mesmo “padrão químico”, o que fortaleceu a interpretação de que se trata de uso intencional de toxinas vegetais, e não de contaminação acidental.

    Continua após a publicidade
    Marlize Lombard/University of Johannesburg
    Resíduo avermelhado com vestígios de substâncias tóxicas de origem vegetal encontrado na ponta da flecha durante a análise laboratorial. (Marlize Lombard/University of Johannesburg/Reprodução)

    Como funcionava o veneno?

    O estudo mostra que essas flechas não eram projetadas para provocar morte instantânea. Testes modernos com extratos da planta indicam que pequenas quantidades do veneno são suficientes para matar roedores em cerca de meia hora.

    Para presas maiores, o efeito seria mais lento, o que sugere uma estratégia de caça baseada em ferir o animal e persegui-lo por longas distâncias até que o veneno enfraquecesse seu organismo. Isso exigia planejamento, conhecimento do ambiente e capacidade de antecipar o comportamento da presa ao longo do tempo.

    Continua após a publicidade

    O que isso revela sobre os humanos do passado?

    Até agora, as evidências diretas mais antigas de flechas envenenadas vinham de cerca de 7 mil anos atrás, já no Holoceno. O novo estudo empurra esse marco em mais de 50 mil anos.

    Os pesquisadores destacam que o uso de veneno não depende de força física, mas de raciocínio abstrato e conhecimento causal; ou seja, entender que uma substância invisível poderia provocar a morte horas depois.

    Isso coloca esses caçadores entre os primeiros exemplos conhecidos de uso sistemático de “tecnologia química” na pré-história, ao lado de outras inovações da mesma época, como o uso de plantas medicinais e a fabricação de colas complexas a partir de matéria-prima vegetal.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).