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A Origem dos Bytes Por Filipe Vilicic Crônicas do mundo tecnológico e ultraconectado de hoje. Por Filipe Vilicic, autor de 'O Clube dos Youtubers' e de 'O Clique de 1 Bilhão de Dólares'.

Seria o fim da linha pro Facebook?

A empresa de Mark Zuckerberg está rodeada de escândalos. Mas nada disso deve derrubá-la. O que pode ameaçar a rede são, na verdade, seus usuários jovens

Por Filipe Vilicic 5 jun 2018, 18h11

E nesta semana se proliferou a notícia de mais um escândalo envolvendo o Facebook: a rede social teria passado, de forma indevida, dados privados de usuários a fabricantes de smartphones e outros dispositivos similares, como a Apple e a Samsung. Dentre os usuários da rede social, porém, o estrondo não foi… bem, um estrondo. A coisa no máximo foi tida como uma biribinha. Afinal, qual é a novidade aí, nessa história de que a empresa de Mark Zuckerberg ganha em cima das informações pessoais coletadas de todos os bilhões que navegam por seus sites e apps (no cálculo somo também as crias da companhia, a exemplo do Instagram e do WhatsApp)?

Desde o alvoroço em torno da Cambridge Analytica – aquela consultoria que capturou dados de perfis do Facebook para usá-los em campanhas de Donald Trump e do Brexit –, essas coisas não assustam tanto. Ao menos não à maioria. A maior prova disso é que não houve uma debandada geral do Facebook, que continua firme e forte como rei dentre as redes sociais. Só que talvez não por muito tempo.

A queda do Facebook não se dará por um deslize (sendo suave no termo; o melhor poderia ser “cagada”) na linha Cambridge Analytica. A rede social só minguará quando (e se) seus usuários saírem dela. Pois são eles que certificam os discursos de Zuckerberg, a força (inclusive, política) da rede social e, provavelmente o mais importante nessa balança, garantem a fortuna crescente da cada vez mais poderosa companhia do Vale do Silício. Força que aumenta em importância conforme se ganha usuários. Só que um novo estudo – e nada tem a ver com os tantos escândalos – indica que a maré pode mudar.

A pesquisa da Pew Research comprovou o que já começava a ser sentido: os jovens não curtem mais o Facebook. Ao menos, nos Estados Unidos. Se em 2015 sete em cada dez adolescentes americanos acessavam essa rede social, hoje a porcentagem caiu em 20 pontos, para 50%, ou cinco em cada dez. Para piorar o cenário pro império de Zuckerberg, seus rivais o passaram nessa disputa. Lá em cima agora se situa o YouTube (com quase 9 em cada 10 jovens daquele país).

No livro O Clique de 1 Bilhão de Dólares, sobre a história do Instagram, levantei o que levou ao fim outras redes sociais famosas. Em especial, o MySpace, antecessor do Facebook no trono (no Brasil, o que pegava era o Orkut, naquela época; lembra dele?). A conta que apresentei serve para explicar o game over do MySpace e, também, do Orkut:

“Em 2006, 85% dos jovens americanos tinham uma conta no MySpace, a bola da vez da época. Hoje (então, falava do ano de 2013), só 7% continuam lá. Em 2006, o jornal americano The Washington Post previu o desastre para o MySpace com a manchete: In Teen’s Web World, MySpace Is So Last Year (No mundo on-line dos adolescentes, o MySpace é tão “ano passado”). E quem crescia então como o novo queridinho? O Facebook.”

Passados outros dois anos, o Facebook conquistou as mentes de oito em dez jovens, como tinha conseguido o MySpace. E agora começa a perder esse público. Novamente, como fora com o MySpace.

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O ir e vir dos jovens americanos usualmente indica quem é a bola da vez. Isso porque – e isso vale pras redes sociais e para a maioria dos novos sites e apps –, quando eles adotam algo, seja o Snapchat ou o Instagram, tornam esse algo uma febre. Quando abandonam o treco, seja o MySpace ou o Facebook, normalmente puxam o bonde para que todos zarpem para mares mais modernos.

Esqueça os escândalos. Esqueça a pressão política em cima de Zuckerberg. O que pode decretar o fim do filhote preferido de Zuck é a revoada às avessas da juventude.

E será o fim do Facebook? Como site / app, talvez sim, talvez não. Quem sabe ele só não se torne algo para os dinossauros mais velhos da internet, sobrevivendo assim? Ou realmente seria o início do #facebookcalipse?

Agora, o que certamente viverá por muito tempo é o Facebook Inc. A empresa, em si. Pois, diferentemente de seus antecessores, Zuckerberg parece ter notado que nenhuma moda dura para sempre. Sejam agasalhos com gorro no Vale do Silício, ou seu site.

O que ele fez para não morrer? Comprou quem o ameaça. Chute quem tá atrás do YouTube (de propriedade do Google) na nova lista dos preferidos dos jovens americanos? Instagram. Este, de propriedade do… Facebook.

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