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Vírus do resfriado pode expulsar coronavírus da célula, diz estudo inicial

Pesquisa indica que, quando o indivíduo contrai os dois vírus ao mesmo tempo, o do resfriado impede que o SARS-CoV-2 entre nas células humanas

Por Sabrina Brito 23 mar 2021, 09h38 • Atualizado em 23 mar 2021, 10h07
  • Uma nova pesquisa preliminar realizada por pesquisadores da Universidade de Glasgow, na Escócia, sugere que o vírus do resfriado comum pode ser capaz de expulsar o SARS-CoV-2 das células do corpo. Trata-se de um conhecido mecanismo por meio do qual dois vírus podem competir pela ocupação de uma mesma célula. Nesse caso, segundo os cientistas, o rinovírus (responsável pelo resfriado) parece vencer o novo coronavírus.

    Ainda de acordo com os pesquisadores, os benefícios desse maquinismo dura pouco, mas, devido à facilidade que o vírus do resfriado apresenta para se multiplicar, pode ser significativo na supressão da Covid-19.

    A equipe de cientistas se baseou em uma réplica das vias aéreas humanas, composta do mesmo tipo de célula do que aquelas que se encontram no nosso organismo, e infectaram-nas com o coronavírus e com o rinovírus. Como resultado, eles constataram que, se os dois vírus fossem inoculados ao mesmo tempo, apenas o do resfriado conseguia se infiltrar de forma estável nas células humanas. Se o rinovírus tivesse uma vantagem de 24 horas, o SARS-CoV-2 ainda não conseguia se infiltrar. Até mesmo quando o coronavírus era inoculado um dia antes, o rinovírus era capaz de expulsá-lo das células.

    Isso pode indicar que, em casos nos quais o rinovírus prevalece, infecções pelo SARS-CoV-2 podem ser inibidas. Resultados similares foram observados em relação ao vírus da gripe suína, também prejudicados pelo rinovírus nesse sentido.

    Experimentos mostraram que o vírus do resfriado causou uma resposta imune dentro das células infectadas que bloqueou a habilidade do coronavírus de se replicar. Quando impedida essa reação, os níveis de SARS-CoV-2 encontrados nas células eram os mesmos registrados nos casos em que o rinovírus não estava presente.

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    É preciso lembrar, contudo, que existe a possibilidade de que o coronavírus cause uma infecção depois do final do resfriado e da resposta imune por ele ativada. Assim, embora animadora, a descoberta não oferece uma espécie de tratamento milagroso da Covid-19 por meio da contração de resfriados — ao menos por enquanto. O estudo, vale ressaltar, é inicial e não foi revisado pelos pares e nem publicado.

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