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Relatório aconselha reforma no painel climático da ONU

IPCC foi abalado por escândalo em 2009, com vazamento de e-mails e acusações de distorção de dados

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 17h15 - Publicado em 30 ago 2010, 20h38

Apesar dos problemas, relatório final da investigação endossa trabalho do painel

O painel climático da ONU precisa de uma reforma fundamental em sua estrutura para evitar erros constrangedores como o encontrado em um revelante estudo publicado em 2007 sobre o aquecimento global, destacou um relatório publicado pelas Nações Unidas nesta segunda-feira. A investigação sobre o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organização premiada com o Nobel em 2007, foi solicitada pela ONU.

O relatório, produto de uma investigação de cinco meses, recomendou mudanças, inclusive com a criação de um comitê executivo para substituir a atual estrutura de trabalho do IPCC, bem como diretrizes mais estritas sobre fontes aceitáveis de consulta. Em 2007, o IPCC publicou um estudo de 938 páginas, apontando para evidências de que as mudanças climáticas já estariam afetando o planeta, ativando o alerta para a necessidade de uma ação global para limitar as emissões de carbono que advêm, sobretudo, da queima de carvão, gás e petróleo. O estudo, conhecido formalmente como Quarto Relatório de Avaliação, rendeu o Nobel ao IPCC, que compartilhou o prêmio com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos e ativista ambiental Al Gore.

Mas, antes da altamente aguardada Cúpula do Clima de Copenhague (COP15), em 2009, o IPCC foi abalado por um escândalo que teve como ponto de partida o vazamento de e-mails, o qual, segundo críticos, demonstraria que a organização teria distorcido dados para chegar às suas conclusões. Uma parte do relatório dizia que as geleiras do Himalaia, que fornecem água para um bilhão de pessoas na Ásia, poderiam desaparecer em 2035, uma estimativa que depois foi relacionada com um artigo de revista. O IPCC admitiu que a referência sobre a geleira do Himalaia estava errada, mas afirmou que suas conclusões centrais sobre as mudanças climáticas estavam corretas, uma opinião partilhada por vários cientistas.

Controvérsia – Segundo a investigação, as diretrizes sobre as fontes do IPCC são “muito vagas” e seria preciso que “fossem mais específicas”. “Os editores dos estudos também devem assegurar que controvérsias genuínas se reflitam no relatório e que seja dada consideração adequada a visões alternativas adequadamente documentadas”, acrescentou.

O documento também recomendou a investigação de conflitos de interesse por parte de membros da organização e limites mais estritos para os mandatos do presidente, cargo atualmente ocupado pelo cientista indiano Rajendra Pachauri. “Qualificações formais para o presidente e todos os outros membros do birô precisam ser desenvolvidas, e deve haver uma rigorosa política no que diz respeito a conflitos de interesse a ser aplicada para os cargos mais altos do IPCC” e seus autores, acrescentou.

Pachauri, ex-funcionário do TERI (The Energy and Resources Institute), tem sido alvo de críticas, algumas das quais apontam que ele teria um interesse oculto em provar a ocorrência das mudanças climáticas por ter vínculos com companhias de comércio de carbono. Neste sentido, o relatório recomendou que o cargo de presidente seja permanente e mais profissional, mudando a estrutura atual desregulamentada, e considerou que o atual mandato no comando do IPCC – dois períodos de seis anos cada – era longo demais.

O cientista indiano não deu sinais de querer renunciar por enquanto, mas deixou a decisão nas mãos dos países-membros do IPCC. “Isto será debatido por todos os governos do mundo, que decidirão o que deve ser implementado e quanto” na próxima reunião do IPCC, que será celebrada em Pusan (Coreia do Sul), disse Pachauri. Apesar de tudo isso, o relatório das Nações Unidas focou-se principalmente na estrutura do IPCC, e endossou amplamente o trabalho do painel, considerando-o “amplamente bem sucedido”.

(Com Agência France Presse)

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