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Gatos estão piorando ainda mais a tragédia ambiental na Austrália

Os felinos são atraídos para incêndios perto do fim, onde caçam os animais sobreviventes, aproveitando-se do estado vulnerável das presas

Por André Lopes Atualizado em 16 jan 2020, 18h15 - Publicado em 16 jan 2020, 17h56

Ainda que a aparência não demonstre, gatos são um problema ambiental no mundo todo. Nos EUA, sozinhos, eles matam cerca de 3,7 bilhões de aves e 20,7 bilhões de mamíferos por ano, sem levar em conta os répteis e anfíbios, que ficaram de fora do levantamento. Em diferentes ecossistemas eles se convertem rapidamente em predadores exemplares, esquecendo de qualquer influência humana sob a sua natureza.

A fama de pouco amigáveis é um consenso na Austrália, onde um recente incêndio de proporções colossais devastou o país, e onde os gatos se tornaram uma segunda pá de cal no caos ambiental que assola a Oceania. Anteriormente, cientistas já haviam demonstrado que gatos selvagens caçavam animais sobreviventes em terras recém queimadas, aproveitando-se do estado ferido e enfraquecido das presas. Contudo, agora se soma ao problema a descoberta de que gatos selvagens podem viajar até 30 quilômetros para encontrar um incêndio perto do fim. Com isso, mesmo regiões onde não existem tantos felinos, podem sofrer com a caça inesperada dos mesmos.

A voracidade por presas fragilizadas é tanta que os felinos passam até 50 dias na caçada. Os pesquisadores acompanharam 13 gatos selvagens e registraram 101 eventos de caça em uma savana australiana, dos quais 32 tiveram sucesso. No total, a taxa de abate era equivalente a 7,2 vítimas por gato, a cada 24 horas, e os gatunos sequer consumiam as presas em 25% das vezes.

Os gatos foram mais bem-sucedidos ao caçar em áreas abertas, com mortes em 70% das vezes. Há ainda outro estudo que constatou que os gatos selvagens são muito atraídos por áreas que queimaram recentemente e, depois, tendem a evitá-las por três meses ou mais, talvez porque a vegetação tenha começado a crescer novamente, ou eles simplesmente obliteraram as espécies presentes na região.

A Austrália é um ambiente péssimo para gatos. Os felinos, invasores vindos de outros continentes, se estabeleceram apenas em 0,2% do país, segundo uma estimativa. Contudo, como nenhum gato é nativo, as espécies originárias da Austrália não são adaptadas para evitá-los, e escapar dos predadores.

Por esse motivo, o governo australiano lançou um esforço de erradicação felina em larga escala para tentar salvar os animais nativos da destruição. Em julho de 2015, o país declarou oficialmente que gatos selvagens são uma praga que ameaça a vida de espécies australianas, lançando um programa de eliminação em massa. A meta é chegar em 2 milhões de felinos abatidos até o fim deste ano.

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