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Descoberto o berço da humanidade na África

Pesquisa indica que pântano no sul do continente abrigou os primeiros Homo sapiens, ancestrais de todos nós

Por Sabrina Brito - 28 out 2019, 19h53

De acordo com um estudo publicado hoje (28) na revista científica Nature, os primeiros Homo sapiens sapiens — subespécie que originou o homem atual — surgiu na porção norte da Botsuana, país ao sul do continente africano. Segundo a pesquisa, esses nossos ancestrais teriam aparecido na região há cerca de 200 mil anos e lá permanecido por mais 70 mil.

O local abrigava o maior sistema de lagos da época, chamado Makgadikgadi (aproximadamente do tamanho da Suíça). Uma mudança nos regimes de chuva teria transformado o local em um pântano, onde a biodiversidade teria aumentado exponencialmente e permitido o surgimento de diversas espécies, a exemplo da nossa.

Há cerca de 130 mil anos, alguns dos povos humanos teriam começado a migrar, tanto para sul quanto para norte. Os que rumaram a sudoeste foram os mais bem-sucedidos: graças ao seu recém-adotado hábito de tornar ao mar em busca de alimentos, eles encontraram melhores condições de vida e prosperaram.

Por outro lado, o grupo que permaneceu perto do Makgadikgadi sobreviveu de forma mais pobre, ainda que bem-sucedida. Ao longo dos milhares de anos, eles deram origem às atuais populações que habitam as redondezas do deserto de Kalahari, no sul da África.

A técnica que permitiu essas descobertas tão detalhadas foi a análise do DNA mitocondrial, que possibilitou aos cientistas compreenderem a velocidade das mutações genéticas da espécie e, assim, entenderem as relações de parentesco e as migrações dos povos da época. Dessa forma, os pesquisadores traçaram a mais precisa árvore genealógica humana já descrita.

De acordo com a geneticista australiana Eva Chan, coautora do estudo, em entrevista a VEJA: “A pesquisa leva a conclusões genéticas, da linguagem e da cultura que permitem elaborar uma compreensão muito maior das nossas origens como seres humanos”. Pouco a pouco, com o apoio da ciência, vamos descobrindo mais sobre o nosso começo — e, quem sabe, sobre o nosso futuro.

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