Sete em dez brasileiros defendem fim da escala 6×1 sem redução salarial, diz Nexus
Pesquisa indica maior divisão quando há chance de cortar salários; Motta diz que proposta será votada em maio
Prioridade do governo Lula para o ano eleitoral, o fim da escala de trabalho 6×1 conta com o apoio de sete em dez brasileiros (73%) — contanto que a redução da jornada não seja acompanhada pelo corte de salários dos funcionários. É o que indica uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 11, pela Nexus.
O levantamento indica que a alteração ou manutenção salarial é o fator mais decisivo para o posicionamento em relação ao fim da escala 6×1. Os 73% de apoio consideram o cenário em que a extinção do modelo não acarretaria a diminuição dos salários — na hipótese de corte da remuneração proporcional à redução da jornada, a parcela favorável à medida cai para 63%. “Boa parte das pessoas vive apertada financeiramente e precisa daqueles rendimentos, por isso acabam negando o projeto se isso lhes tirar parte da renda mensal”, diz Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
Entre os entrevistados, apenas 28% se dizem apoiadores incondicionais do fim da jornada 6×1, independentemente do que aconteceria com os salários. Em contrapartida, 11% dos participantes se posicionaram contra qualquer mudança na lei, enquanto 6% se declararam “nem a favor, nem contra”.
O levantamento da Nexus identificou, ainda, uma margem consideravelmente maior de apoio ao fim da escala 6×1 entre os eleitores que votaram em Lula em 2022 — neste grupo, 71% são favoráveis e 15% contrários. Por sua vez, na parcela que votou em Jair Bolsonaro nas eleições passadas, 53% defendem a extinção da jornada e outros 32% repudiam a proposta.
A Nexus entrevistou 2.021 pessoas com 16 anos de idade ou mais, nos 26 estados e no Distrito Federal, entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro. A margem de erro é estimada em 2 pontos percentuais (pp), para mais ou para menos, e o intervalo de confiança da pesquisa é de 95%.
Motta prevê votação da escala 6×1 em maio
Na última segunda-feira, 9, a PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 foi enviada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), à análise pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Segundo ele, a previsão é que a proposta seja votada pelo plenário em maio deste ano.
A CCJ é responsável por analisar a legalidade dos projetos de lei, avaliando se a matéria viola trechos da Constituição ou entra em conflito com outras leis já aprovadas. Após passar pelo colegiado, o texto ainda será analisado por uma comissão especial, cujos integrantes ainda precisam ser indicados por Motta.






