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Servidora agride repórter e defende aumento para vereadores em MG

Reportagem anterior teria indisposto Alice Ribeiro com jornalista da Band; membros do legislativo de Uberlândia reajustaram os próprios salários em 20%

Por Guilherme Venaglia - Atualizado em 20 dez 2017, 18h27 - Publicado em 20 dez 2017, 17h50

O que era para ser uma entrevista sobre o aumento de 19,8% que os vereadores de Uberlândia (MG) concederam a eles mesmos neste mês terminou na agressão a um repórter. Escalada para defender o reajuste, suspenso por uma liminar da Justiça, a procuradora da Câmara Alice Ribeiro partiu para cima do repórter Ricardo Martins, da afiliada da Band na região do triângulo mineiro, após ser questionada sobre a moralidade da medida.

“Se você acha a Constituição federal imoral é problema seu”, respondeu a procuradora. Martins questionou o porquê da reação agressiva de Alice especificamente contra ele. Na sequência, a procuradora o chamou de “capcioso”, retirou o microfone da sua mão e arremessou na mesa a sua frente.

O repórter contou a VEJA que perguntou a Alice Ribeiro se a resposta havia sido um problema pessoal em virtude de uma outra reportagem que fez no dia em que os vereadores aprovaram o reajuste. “Eles não queriam dar entrevista de jeito nenhum e, por isso, os outros repórteres saíram do plenário. Nós decidimos ligar a câmera e sair perguntando com dados que coletamos. Muitos não tinham como responder e gaguejaram”.

A procuradora, segundo o repórter, é esposa de um dos vereadores da Mesa Diretora da Câmara, Hélio Ferraz, o Baiano (PSDB), que teria se irritado com a matéria anterior. Ricardo Martins também explica que a entrevista não estava marcada com ela, mas com o presidente do legislativo, vereador Alexandre Nogueira (PSD), que desistiu de última hora de falar com a reportagem, escalando Alice Ribeiro para representá-lo. Martins informou a VEJA que vai abrir um boletim de ocorrência contra a procuradora ainda nesta quarta-feira.

Com o reajuste, o salário dos vereadores de Uberlândia passaria dos atuais 15.031 reais para 18.007 reais. O questionamento contra a decisão é baseado em uma lei municipal da cidade que proíbe aumentos acima da inflação (estimada em 2% até o começo de dezembro) durante um mesmo mandato. Portanto, se os vereadores queriam se dar um aumento real, só poderiam fazê-lo a partir de 2021.

Procurada, a Câmara Municipal de Uberlândia informa que a procuradora Alice Ribeiro, responsável por defender o reajuste, não concede mais entrevistas à imprensa. Durante a aprovação, os políticos de Uberlândia alegavam estarem dentro da lei, uma vez que o novo valor não ultrapassa o limite constitucional para salários de vereadores, que é 75% dos vencimento dos deputados estaduais. Em Minas Gerais, os parlamentares da Assembleia Legislativa recebem, por mês, 25.322 reais.

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