Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

Revogação pelo MEC de novos cursos de medicina opõe entidades médicas e donos de universidades

Qualidade do ensino e interiorização da formação são temas em debate após governo cancelar possibilidade de quase 6 mil novas vagas

Por Ludmilla de Lima Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 fev 2026, 15h45 • Atualizado em 11 fev 2026, 15h45
  • A revogação pelo governo Lula (PT) do edital que previa a abertura de até 5.900 vagas em cursos de medicina particulares divide opiniões. De um lado, estão entidades médicas, que aprovam o ato assinado pelo ministro da Educação, Camilo Santana, após o resultado ruim das instituições no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Do outro, o setor de ensino superior privado, que argumenta, entre outros pontos, o efeito negativo da decisão sobre a interiorização da formação em medicina no país.

    Em nota, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) manifestou preocupação. De acordo com a entidade, o edital, mesmo sofrendo sucessivos adiamentos desde a sua publicação, em outubro de 2023, era visto pelo setor como “um marco de reorganização da política pública de formação médica”, ao estabelecer critérios objetivos e condução centralizada pelo poder público. Para a associação, apesar das justificativas técnicas, a revogação “produz instabilidade regulatória e compromete a previsibilidade necessária ao planejamento educacional de médio e longo prazo, especialmente em um curso que exige elevados investimentos e segurança institucional”.

    A Abmes prevê impactos para municípios que aguardam a interiorização da formação médica, para redes locais de saúde e para estudantes que esperam uma oportunidade de acesso ao curso, especialmente em regiões com escassez de profissionais.

    No Enamed, dos 351 cursos de medicina avaliados, 107 – ou 30% do total – receberam conceitos considerados insatisfatórios, com nota 1 e 2, como divulgado em janeiro. Presidente da Associação Paulista de Medicina e professor da Santa Casa de São Paulo, Antonio José Gonçalves relaciona a decisão do governo aos resultados e diz que a formação inadequada representa um “risco direto à saúde da população”, podendo comprometer “a qualidade da assistência prestada no Sistema Único de Saúde (SUS)”. Ele completa: “Cursos com notas baixas devem ser punidos rigorosamente, mas também é importante criar um exame de proficiência médica, como acontece com os advogados. Seria uma prova obrigatória aplicada ao final do curso de Medicina. Só poderia obter o registro profissional (CRM) quem fosse aprovado”, defende.

    O MEC afirmou em nota que a decisão tem caráter técnico e decorre da necessidade de avaliar os impactos de eventos que alteraram “o cenário fático-normativo que fundamentou a edição e a validade do edital”. O órgão lista a recente expansão de cursos e vagas de medicina, muitos provocados pela judicialização dos pedidos de autorização; a expansão da oferta de cursos dos sistemas estaduais e distrital de ensino; e a conclusão de processos administrativos relativos a aumento de vagas em cursos já existentes.  “Diante desse quadro, a manutenção do edital deixaria de atender aos objetivos de ordenação da oferta, redução das desigualdades regionais e garantia de padrão de qualidade que orientam o Programa Mais Médicos”, aponta o ministério, acrescentando. “Além disso, somam-se ao novo cenário da oferta de vagas de medicina no país a implementação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), as novas Diretrizes Curriculares Nacionais e os debates públicos sobre a instauração de um exame de proficiência do egresso do curso de Medicina”.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).