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Polícia do Rio mata traficante mais procurado do Brasil

Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, foi morto no Morro da Pedreira, em Costa Barros

Por Leslie Leitão - 8 ago 2015, 13h51

O traficante Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, 32 anos, foi morto nesta tarde durante um confronto com homens da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal e da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar, numa megaoperação no Morro da Pedreira, em Costa Barros, Zona Norte do Rio de Janeiro. Filho de família típica de classe média carioca — daí ter ascendido na bandidagem como Playboy — era o criminoso mais procurado do Brasil.

Segundo apuração de VEJA.com, Playboy vinha sendo monitorado pela PF ao longo de meses. A ação que resultou em sua morte foi engendrada nos últimos dias. Era pouco mais de meio-dia quando os policiais entraram na favela, Os investigadores tinham a informação de que o marginal iria a uma certa casa, onde tomaria parte de uma sessão de candomblé. Playboy, de fato, havia acertado com uma mãe-de-santo de passar por um ritual a que se submetia a cada 8 de agosto: tomar um banho de sangue de bode para “fechar o corpo”. Na noite anterior, porém, havia participado de uma festa regada a uísque e energético, dormiu demais e se atrasou para o encontro. Vigiado em tempo real pelos policiais, ainda estava na casa da namorada quando foi flagrado. Em terra, um veículo blindado seguiu para lá; no ar, dois helicópteros completavam o cerco.

Houve um intenso confronto entre os bandidos que faziam a segurança de Playboy e a polícia. Os marginais tentaram resistir, mas se viram em desvantagem e acabaram fugindo. Dentro da casa, Playboy tentou reagir, atirando com uma pistola, mas acabou alvejado próximo à cozinha. No imóvel, os policiais encontraram uma pistola e um fuzil. Ainda com vida, o bandido foi conduzido ao Hospital Geral de Bonsucesso, mas morreu no caminho. Depois do confronto, a Polícia Militar decidiou ocupar a região da Pavuna e de Costa Barros por tempo indeterminado. O comércio foi fechado durante o dia.

Playboy ganhou destaque nas páginas policiais depois que sua quadrilha transformou a região da Pavuna no lugar onde mais se registram roubos de carga no mundo. Na virada do ano, outro episódio também o colocou no foco da polícia. Cerca de duzentas motos foram surrupiadas de um depósito do departamento de trânsito da cidade e ele foi responsabilizado pelo ataque.

No início deste ano, Playboy deu uma longa entrevista a VEJA e contou detalhes sobre sua vida criminosa, em duas sessões de mais de sete horas. Na ocasião, sabendo-se na mira da polícia, disse que só via para si dois desfechos: cadeia ou morte. Ficou claro que seu poder se fincava sobre a corrupção policial, embora não tenha entregado nenhum nome da banda podre que alimentava. Viaturas e blindados da PM percorriam as vielas da favela atrás de propina mensal estimada em 100 000 reais. Era o que os fazia cerrar os olhos aos desmandos e variados crimes de Playboy. No ano passado, ele chegou a ser capturado e passou horas algemado. Sua liberdade custou exatos 648 000 reais, rateados entre os policiais envolvidos. Ainda entregou dois fuzis AK-47 e correntes que seus homens iam arrancando do pescoço. Tudo era pesado numa balança. Deu 4,5 quilos de ouro.

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Filho de um jornaleiro e de uma dona de casa, criado no bairro de Laranjeiras, Zona Sul carioca, ele foi galgando rapidamente postos na hierarquia do crime. Começou roubando carros, depois apartamentos, até virar um dos grandes e mais temidos traficantes da cidade. Foi no Complexo da Pedreira, em Costa Barros, que tornou-se poderoso, controlando uma quadrilha com mais de cem fuzis e invadindo outras favelas para estender o domínio de sua facção criminosa, a Amigos dos Amigos (ADA). À base do assistencialismo e do medo mantinha os moradores em silêncio. Se alguém chegasse com receita médica, ele dava o dinheiro para a compra do remédio no ato — sistema batizado em seus domínios como “caixa eletrônico”,

A morte de Playboy significa um duro golpe na quadrilha, em plena expansão. Sob seu comando, a gangue se preparava para atacar justamente neste domingo a facção rival que domina o conjunto de favelas do Complexo da Maré, na Zona Norte, segundo informações obtidas pela polícia. Sobre a Maré, dizia: “Tomar aquilo ali é uma questão de honra”.

(Atualizada às 18h30)

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