Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Polícia apreende bens dos pais do bebê Jonatas

Casal é suspeito de gastar indevidamente parte do dinheiro arrecadado para o tratamento do garoto, que tem síndrome rara

A Polícia Civil de Joinville cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do casal Renato e Aline Openkoski, pais do bebê Jonatas, às 6h30 desta quinta-feira, em Joinville, Santa Catarina.

O casal é investigado sob suspeita de usar indevidamente parte do dinheiro de doações para o garoto, que sofre de uma síndrome rara.

Entre os bens apreendidos, estão um carro avaliado em 140 000 reais e uma TV de 50 polegadas avaliada em 6 000 reais, todos adquiridos depois da campanha de arrecadação. Parte dos objetos seria leiloada para arrecadar fundos.

A ação foi comandada pela delegada Georgia Marrianny Gonçalves Bastos, titular da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, e teve a participação de dez policiais. O mandado foi expedido no final da tarde de ontem pelo juiz Cesar Tessarolli, da 4ª Vara Criminal de Joinville, a pedido da delegada.

Novo padrão: foto de fim de ano em Fernando de Noronha e carro de 140 000 reais

Novo padrão: foto de fim de ano em Fernando de Noronha e carro de 140 000 reais (./Reprodução)

De acordo com Georgia, os policiais chegaram de surpresa na casa e, no momento da abordagem, havia dez pessoas lá. “Eles ficaram assustados e o Renato foi o que reagiu com mais agressividade, ficou batendo no peito que o dinheiro era dele, que ele não roubou nada. Precisamos até fazer uma contenção”, relata.

“Apreendemos o carro, uma moto, muito luxo da parte deles, muita documentação de gastos excessivos, alianças, relógios, nota de compras na (boutique) Colcci de 4 000 reais, perfumes, maquiagens, além de vários objetos que foram doados durante a campanha de arrecadação de recursos para serem leiloados ou rifados e nunca foram”, afirmou.

Apreendemos também uma arma de brinquedo que ele [Renato] teria usado para fazer fotos e intimidar as pessoas que estavam questionando a lisura da campanha”, afirmou a delegada, que disse ter ouvido ao menos quatro pessoas que foram ameaçadas por questionar o uso do dinheiro.

Todos os objetos apreendidos agora ficam sob a tutela da Justiça até que a investigação seja concluída. “Essa foi uma primeira etapa de apreensão de objetos de interesse da investigação, pois há indícios de que foram adquiridos por meio do dinheiro da doação”, afirmou a delegada.

Procurado pela reportagem, Openkoski não foi encontrado para comentar o caso.

O caso Jonatas

Jonatas Henrique, morador de Joinville, em Santa Catarina, é portador do tipo mais severo da patologia genética degenerativa chamada de atrofia muscular espinhal (AME). Ele foi diagnosticado no início do ano passado, quando tinha 6 meses de vida. Sua única esperança de sobreviver à doença era o medicamento Spinraza (as seis doses iniciais custavam perto de 3 milhões de reais na época (a aprovação no Brasil, tempos depois, ajudou a baixar o custo).

O menino está se tratando graças ao apoio recebido em todo o país, e no exterior, e contou com a divulgação de famosos como os atores Danielle Winits, André Gonçalves, o cantor Zezé di Camargo e a apresentadora Ana Hickmann. Em pouco mais de dois meses, a meta havia sido superada: o esforço coletivo garantiu, em vez dos 3 milhões desejados, um terço a mais — 4 milhões de reais, suficientes para custear todo o primeiro ano do tratamento de Jonatas.

Reportagem publicada em VEJA (leia aqui) mostrou como o apoio se reverteu em desconfiança e revolta depois que os pais mostraram uma mudança brusca de padrão de vida. Ele era palestrante religioso em igrejas evangélicas, enquanto ela havia interrompido os estudos de direito após a gravidez. Ao mesmo tempo em que não apresentaram comprovações das despesas que têm com o filho, mudaram-se para uma casa maior, passaram o Réveillon em Fernando de Noronha, adquiriram o Sportage avaliado em 140 000 reais, entre outros gastos exibidos nas redes sociais.

Segundo a família, o garoto tem reagido bem ao tratamento.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. inaceitavel, lamentável.. tem lei para capar um sujeito desses?

    Curtir

  2. Sugiro a resposta abaixo (que todos os bandidos dão quando pegos):
    O casal Renato e Aline Openkoski disse que as afirmações de lokupletação financeira de doações recebidas são mentirosas, mas só vão se manifestar depois que tiverem acesso ao conteúdo do pedido de busca e apreensão. De acordo com o advogado, não houve qualquer ilicitude, o que ficará cabalmente provado no kurso das investigações. Sempre estiveram e sempre estarão à disposição da Justiça e autoridades para prestar qualquer informação e para todos os esclarecimentos necessários. No mais, atribuem a mídia mais este golpe.

    Curtir

  3. Fernando Mello

    Nada disso teria acontecido se nossa Saúde Pública fizesse sua parte direitinho.

    Curtir

  4. Se ficar demonstrado, são vagabundos da pior espécie, e a criança, tadinha, vítima também. Tem que vender todos esses bens, abrir uma conta e a justiça determinar um tutor pra administrar financeiramente o tratamento do garoto. O ser humano é um lixo.

    Curtir

  5. alin lirah : Se realmente for comprovado a falcatrua, a justiça tem que nomear um novo kkúrador/tutor para kuidar da criança e de seus bens.

    Curtir

  6. É isso mesmo, Sean ! Dão este tipo de respota evasiva só para tentar se livrar das grades…. Qual é o benefício direto ao menino a quantidade de ókúlos de sol ? E a moto que foi apreendida… Seria para colocar a criança em cima ?????? Que monstruosidade, os próprios pais se aproveitando do filho especial para benefício próprio. VERGONHA !
    ——————————————————————————–
    Agora podem ver…. depois deste escândalo, a justiça deveria interditar a criança e nomear um C’urador/Tutor independente de qualquer pessoa da família.

    Curtir

  7. Luciana dos Santos Alvez

    As doações foram dadas de livre e expontanea vontade pelas pessoas, se eles utilizaram o dinheiro para mudar de casa para uma maior para dar melhor qualidade de vida ao filho e compram um carro para uso da familia com o objetivo de trazer melhor qualidade de vida a criança. Não podem ser privados de um momento de lazer depois de todo o sofrimento que passaram com o nascimento do filho com problemas de saúde. Acho que mereciam sim um descanso e umas merecidas ferias. Condenam a família, mas não estão passando pela mesma situação que eles pelos sofrimento, angustia não saber o tempo de vida que essa criança terá. Atiram pedras neles não estando na mesma situação tendo filhos saudáveis. Eles não roubaram nada de ninguém pediram para que quem pudesse ajudasse no tratamento do filho doente.

    Curtir