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PM de SP vai dialogar com acadêmicos para rever protocolos de abordagens

Grupo de trabalho articulado por José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, terá a participação de oito universidades e irá durar um ano

Por Edoardo Ghirotto Atualizado em 14 ago 2020, 14h34 - Publicado em 14 ago 2020, 14h30

A Polícia Militar (PM) de São Paulo concordou em participar de um grupo de trabalho para discutir a revisão de protocolos empregados nas abordagens de rua. A corporação e a Secretaria de Segurança Pública do estado designaram cinco oficiais para integrar um comitê que terá duração de um ano e contará com a participação de acadêmicos de oito universidades. Os trabalhos foram articulados por José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, com o objetivo de coibir casos de violência policial contra pessoas negras.

A criação do grupo foi acordada numa reunião realizada na quinta-feira, 13, e que contou com a participação de Vicente, da cúpula da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança Pública e de representantes da USP, Unicamp, Unesp, Unifesp, PUC, Universidade Federal do ABC e Unip. Um novo encontro foi marcado para daqui a 20 dias, na sede da PM, para oficializar os nomes dos integrantes do comitê e para definir a periodicidade dos trabalhos.

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A PM já designou para participar do grupo de trabalho o major Nicanor Barry Kimura e os capitães Rodrigo Cunha de Souza, Samuel Cláudio da Silva, Leonardo Bruno Rodrigues e Bruno Matsuo Fututani.

  • O debate para reformular os métodos de abordagem da PM faz parte das negociações que o Movimento Ar, coordenado por Vicente, abriu com as forças de segurança em meio à escalada das denúncias de abusos cometidos contra pessoas negras por policiais. A primeira mudança aceita pela cúpula da PM foi proibir o uso do “mata-leão” (uma tática de imobilização) nas abordagens de rua.

    O reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, e o secretário da Segurança Pública de SP, general João Camilo Pires de Campos, após celebrarem acordo ./Divulgação

    Segundo Vicente, a corporação entendeu que precisava abrir um diálogo com a sociedade após a divulgação de um vídeo em que um policial pisava no pescoço de uma mulher negra em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, que havia reagido à ação da polícia. “Aquilo fez o copo transbordar”, disse. “A polícia compreendeu, de um ponto de vista simbólico, que possui um limite de atuação e produção. Por mais que existam procedimentos, quando chega na hora da operação lá na ponta, o protocolo que vigora é muito informal e particularizado de policial para policial. Eles entenderam que precisavam sentar à mesa, o que não deixa de ser uma medida radical, já que tradicionalmente nunca conversaram com ninguém.”

    Vicente também foi recepcionado pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), para discutir o racismo nas operações policiais. Covas afirmou que trabalhará em medidas para combater o problema e prometeu aderir institucionalmente e pessoalmente ao Movimento Ar. Segundo Vicente, o governador João Doria (PSDB) foi procurado para debater o tema, mas não respondeu aos pedidos para uma audiência.

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