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Os vários acenos de Valdemar a Tereza Cristina como vice de Flávio Bolsonaro

Em evento ao lado de Antonio Rueda, presidente do União, cacique do PL fez elogios ao currículo e à capacidade de agregação de votos da senadora

Por Laísa Dall'Agnol Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 fev 2026, 15h44 • Atualizado em 24 fev 2026, 15h58
  • Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue em franca pré-campanha ao Planalto, uma lista de postulantes é ventilada para ocupar o posto de vice em sua chapa.

    Embora diga e repita que a escolha final será de Jair Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tem feito acenos contundentes à senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura no governo do ex-presidente.

    Em evento do Grupo Esfera com empresários e com o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, na noite desta segunda-feira, 23, em São Paulo, o cacique se desdobrou em elogios à parlamentar. Ao avaliar o erro de Bolsonaro na derrota de 2022 contra Lula, foi categórico ao dizer que a — infeliz — escolha do ex-presidente de colocar general Walter Braga Netto como seu vice não trouxe nenhum voto a mais, e que Tereza Cristina seria uma opção mais favorável, principalmente pelo apelo ao eleitorado feminino.

    “O Braga Netto é um homem do bem, homem decente, homem correto. Mas que não dava um voto pra ele. Eu insisti pra ele: ‘Bolsonaro, estamos empatados com os homens, mas estamos atrás com as mulheres. Põe a Tereza Cristina’. O Bolsonaro, teimoso, disse: ‘Esse assunto não discuto, não quero saber. Meu vice é o Braga Netto’. E foi um erro que cometemos”, disse o presidente do PL, acrescentando que a disputa deste ano será “dificílima” e, portanto, a legenda não pode se dar ao luxo de perder votos.

    Ao final do evento, ao ser questionado por jornalistas sobre sua “preferência” para o posto de vice de Flávio Bolsonaro, ponderou novamente sobre Tereza Cristina e sobre o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). “O Zema seria um candidato ideal por causa dos votos de Minas Gerais. Porque o Zema pode não estar bem avaliado no Brasil, mas em Minas ele está bem avaliado. Isso não tem preço para nós, porque Minas é Minas”, disse, sobre o estado que é o segundo maior colégio eleitoral do país. “E a Tereza, apesar de ter todo aquele tamanho dela, ela tem um carisma que ninguém tem, ela é o máximo”, disse, reafirmando que ainda não teve conversas com nenhum dos dois e que o martelo final será batido por Flávio e Jair Bolsonaro.

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    Já nesta terça-feira, 24, Valdemar foi além e, ao republicar a citação de sua própria fala no evento da noite anterior, disse não ter dúvida de que Tereza Cristina pode “ajudar a fazer um bom governo”.

    “Todos os meus anos na política me permitiram observar como as mulheres estão à frente do tempo, como são capacitadas para liderar e o quanto são habilidosas”, escreveu em suas redes.

    “A senadora Tereza Cristina é um grande exemplo disso! Não tenho dúvida de como ela pode ajudar a fazer um bom governo, caso seja pré-candidata a vice-presidente. O presidente Jair Bolsonaro vai dar o melhor direcionamento”, concluiu.

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    Centro disputado

    As declarações do presidente do PL se dão em um momento em que a direita se volta ao centro em busca de apoio ao seu projeto de poder nas eleições deste ano.

     

    Principal foco das investidas, a federação União Brasil-PP tem demonstrado uma ausência de consenso, pelo menos por ora, sobre se embarcará na candidatura de Flávio, se liberará seus integrantes ou, mesmo, se lançará candidato próprio — Ronaldo Caiado (União), governador de Goiás, trocou o partido pelo PSD ao não ter tido apoio à sua pré-candidatura ao Planalto.

    Ao mesmo tempo, o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, correligionário de Tereza Cristina, criou embaraço com a federação após acenar para o governo Lula, por apoio à sua reeleição no Piauí.

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    Também no evento do Grupo Esfera, na segunda, 23, o presidente do União, Antonio Rueda, disse que a sigla esteve oficialmente no governo com o ministro do Turismo Celso Sabino (expulso da legenda após se recusar a deixar a pasta), que o partido pretende trabalhar “a favor do Brasil”, mas que não vê a legenda se aliando ao PT.

    “É muito difícil a gente caminhar com a esquerda. Você quando olha pro DNA, você vê o Ciro [Nogueira], foi ministro da Casa Civil do Bolsonaro. Como que o Ciro vai caminhar com o PT? Não consigo enxergar isso aí, de forma muito honesta. Acho que a gente tem uma construção muito grande pra fazer por esse país, acho que é uma eleição duríssima, que o centro vai decidir”, declarou.

    Ao todo, a federação União-PP terá palanques em treze estados nas eleições deste ano — dos quais, apenas dois são ligados à esquerda, no Amapá e na Paraíba, sinalizou Rueda. “Depois do PL, o União é o partido que mais vai lançar candidato ao Senado. Temos uma contribuição muito grande a fazer”.

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    O cacique do União também afirmou que a sigla tem uma “afinidade” programática com a direita, e que tem mantido conversas com Flávio Bolsonaro.

    “O União está tentando se cercar das melhores pessoas, dos melhores quadros, pra gente poder contribuir com o Brasil. Eu venho conversando muito com o Flávio, com o Valdemar, e a gente tem uma afinidade muito grande”, disse.

    “O Bolsonaro foi eleito por um partido muito pequeno, que era o PSL, que eu tive a oportunidade de presidir. E todo o nosso conjunto tem muita afinidade com a direita, a direita mais moderada. E essa construção com o Valdemar é muito sadia”, finalizou.

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