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Nova Lima é a cidade com maior concentração de ricos no Brasil

Município mineiro é o primeiro colocado do ranking elaborado por Marcelo Neri, economista da FGV, feito com base em declarações de imposto de renda de 2018

Por Edoardo Ghirotto Atualizado em 11 ago 2020, 07h17 - Publicado em 11 ago 2020, 07h10

Um estudo conduzido por pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) identificou quais são as cidades com a maior concentração de ricos no Brasil. Nova Lima, localizada a 24,5 quilômetros de Belo Horizonte, está no topo do ranking, seguida pelos municípios de Santana de Parnaíba (SP), Aporé (GO), São Caetano do Sul (SP) e Niterói (RJ).

O tabelamento foi elaborado pelo economista Marcelo Neri com base nos dados de declarações de imposto de renda de 2018 recém-gerados pela Receita Federal. Neri estabeleceu qual era a proporção de declarantes em relação à população total das cidades e obteve a renda média a partir da divisão do valor declarado pelo número de pessoas que habita cada município.

Em primeiro lugar desse ranking, a mineira Nova Lima tem população com renda média de 6.253,03 reais. A cidade sedia a escola de negócios Fundação Dom Cabral e é um dos principais lugares de atuação da mineradora Vale, que mantém no local o Centro de Tecnologia de Ferrosos e o Centro de Controle Ambiental. O município, de pouco mais de 90.000 pessoas, também abriga condomínios de luxo que atraem pessoas que trabalham na região metropolitana de Belo Horizonte.

A segunda colocada na lista apresenta um perfil semelhante. Santana de Parnaíba tem 108.000 habitantes e fica a 41 quilômetros de São Paulo. O pequeno município é conhecido pelos condomínios fechados com imóveis de alto padrão e, segundo o estudo da FGV, registra renda média da população de 5.384,77 reais.

A terceira colocação fica com a goiana Aporé, cuja renda média é de 5.233,93 reais, impulsionada em grande parte pelo agronegócio local. São Caetano do Sul, que há anos lidera o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no país, ocupa a quarta posição, com uma renda média equivalente a 4.565,34 reais. Já Niterói, em quinto lugar, possui renda média de 4.186,51 reais.

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  • A capital que está melhor colocada é Florianópolis, na sexta posição, com renda média de 3.998,30 reais. Completam a relação das dez primeiras classificadas as cidades de Santos-SP (3.763,84 reais), Porto Alegre-RS (3.725,15 reais), Vitória-ES (3.516,16 reais) e Campos do Jordão-SP (3.493,98 reais).

    “Existe um padrão que se repete nos dados. Os lugares que atraem os mais ricos não são necessariamente produtivos economicamente. O que explica a concentração é a qualidade de vida. São Caetano tem o IDH mais alto do Brasil há duas décadas. Há outras cidades que são litorâneas e têm elevada proporção de médicos ou de pessoas com diploma superior, como Florianópolis, Santos e Vitória”, afirma Neri. “Onde moram pessoas de alta renda, abre-se o mercado de trabalho para médicos, advogados e outros profissionais liberais em geral.”

    Na parte inferior da tabela, o Maranhão contabiliza oito municípios entre os de menor renda do país, enquanto o Pará apresenta dois. O pior colocado é Fernando Falcão, onde as pessoas têm 19,89 reais de renda média e 156 reais de patrimônio líquido médio.

    O Distrito Federal é a unidade federativa de maior renda média, com 2.981 reais. Com base nos dados disponibilizados pela Receita, Neri determinou qual é o patrimônio registrado por região na capital. No topo da lista está o Lago Sul, onde vivem os servidores públicos mais abastados do país, com renda média de 23.020 reais em relação à população total. O valor é 3,6 vezes maior do que o registrado em Nova Lima. “Isso prova que precisamos fazer a reforma administrativa. Esses dados também ajudarão a vislumbrar as melhores possibilidades de reforma tributária sobre o imposto de renda da pessoa física”, diz Neri.

    Confira o ranking com as 10 cidades de maior renda média no Brasil (Município/Renda Média da População/Patrimônio Líquido Médio da População):

    • Nova Lima (MG) – R$ 6.253,03 – R$ 321.820,35
    • Santana de Parnaíba (SP) – R$ 5.384,77 – R$ 279.054,00
    • Aporé (GO) – R$ 5.233,93 – R$ 736.225,72
    • São Caetano do Sul (SP) – R$ 4.565,34 – R$ 214.099,50
    • Niterói (RJ) – R$ 4.186,51 – R$ 131.999,52
    • Florianópolis (SC) – R$ 3.998,30 – R$ 151.856,42
    • Santos (SP) – R$ 3.763,84 – R$ 140.565,88
    • Porto Alegre (RS) – R$ 3.725,15 – R$ 145.051,23
    • Vitória (ES) – R$ 3.516,16 – R$ 132.039,06
    • Campos do Jordão (SP) – R$ 3.493,98 – R$ 82.853,52

    Confira o ranking com as 10 cidades de menor renda média no Brasil (Município/Renda Média da População/Patrimônio Líquido Médio da População):

    • São João do Soter (MA) – R$ 36,33 – R$ 223,38
    • Milagres do Maranhão (MA) – R$ 36,14 – R$ 425,07
    • Turilândia (MA) – R$ 35,90 – R$ 75,48
    • Primeira Cruz (MA) – R$ 34,86 – R$ 86,62
    • Jenipapo dos Vieiras (MA) – R$ 34,72 – R$ 375,00
    • Chaves (PA) – R$ 34,10 – R$ 136,62
    • Centro do Guilherme (MA) – R$ 32,99 – R$ 258,64
    • Cachoeira do Piriá (PA) – R$ 31,48 – R$ 221,32
    • Matões do Norte (MA) – R$ 26,70 – R$ 321,61
    • Fernando Falcão (MA) – R$ 19,89 – R$ 156,00
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