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Netflix está produzindo documentário sobre João de Deus

O roteiro vai destacar a trajetória do médium que chamou a atenção do mundo com suas curas espirituais e, depois, foi preso por assédio sexual

Por Hugo Marques 14 jun 2020, 08h41

Um dos documentários de maior impacto exibidos em forma de série pela Netflix, Wild Wild Country conta a história do guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh, conhecido como Osho, que ergueu uma cidade no interior do Oregon, nos Estados Unidos. Até o final deste ano, outra série em formato parecido deverá ganhar o planeta através do mesmo canal de streaming. Trata-se da história do médium goiano João de Deus, que por quatro décadas realizou cirurgias e fez  atendimentos espirituais no município de Abadiânia, em Goiás.

Ao contrário da comunidade erguida nos EUA pelo Osho – em que a trama real envolvia planos de assassinatos, manipulação eleitoral e bioterrorismo –, a história de João de Deus estará centrada principalmente nos extremos que separam as supostas curas e as acusações contra ele de assédio sexuais feitas por centenas de mulheres. João de Deus já foi condenado a 20 anos de cadeira e cumpre prisão em regime domiciliar. O médium aguarda outros julgamentos.

A gravação do documentário deu a João de Deus um pouco de tranquilidade financeira. O médium, que tem uma fortuna de 100 milhões de reais, está com os bens bloqueados e reclamava que não tinha dinheiro nem para pagar seus advogados.  A empresa Grifa Filmes, que produz o documentário, fechou no final de abril um termo de compromisso com João de Deus e a Casa Dom Inácio de Loyola, que pertence ao médium. Pelo contrato, João de Deus recebeu 70 mil reais adiantados em troca de seus arquivos pessoais.  São fotos, documentos e gravações mostrando as curas.

O documentário vai abordar a vida do médium desde a adolescência, quando ele diz ter visto uma imagem de uma santa, que o conduziu para o caminho do curandeirismo. Nestas quatro décadas, João atendeu cerca de dez milhões de pessoas, incluindo ex-presidentes da República, ministros do Supremo e autoridades de diversas esferas do poder político. Na primeira conversa com a produtora, João negou que tenha assediado mulheres. Ele insiste que é inocente.

Divulgação/Arquivo pessoal

A Grifa Filmes já levou dois documentários para a lista de 166 títulos pré-indicados ao Oscar em 2018. Um dos documentários é a produção The Cleaners, que conta os bastidores de profissionais que controlam e apagam conteúdos de redes sociais. O outro é Piripkura, que narra a luta pela sobrevivência dos três últimos índios da tribo que leva o mesmo nome. A produtora também é responsável pela estreia de Em Busca das Cobras, para o National Geographic, em que dois especialistas revelam curiosidades sobre os répteis.

Um dos proprietários da Grifa Filmes, Maurício Dias, afirmou que não pode falar sobre a série sobre João de Deus porque tem um contrato de sigilo com a Netflix. O título da série ainda não foi escolhido.

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