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MPF ameaça vitrine de Cavaliere no combate ao crime nas praias do Rio

Ministério Público Federal entrou com ação para suspender imediatamente o novo programa Tolerância Zero

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 jul 2026, 10h21
MPF ameaça vitrine de Cavaliere no combate ao crime nas praias do Rio Priorizar nos meus resultados Google

O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça para tentar suspender o programa Tolerância Zero, recém-criado pela prefeitura do Rio para combater o comércio irregular nas praias da zona sul da cidade. O órgão pede uma decisão liminar em caráter de urgência para interromper imediatamente o trabalho, iniciado nesta semana

O Tolerância Zero é uma das principais vitrines da prefeitura no enfrentamento ao crime nas praias. O programa mira depósitos clandestinos e taxas abusivas que, de acordo com a prefeitura, vêm sendo cobradas no Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon. Vendedores ambulantes e camelôs fizeram protestos contra a iniciativa.

A Procuradoria no Rio sustenta que o município criou uma política permanente de fiscalização sem observar normas federais sobre a gestão das praias, que são bens da União. Segundo o órgão, o programa foi desenhado sem diálogo com o governo federal, sem participação social e sem medidas voltadas à regularização de ambulantes que dependem da atividade para sobreviver.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão Julio Araujo argumenta que o enfrentamento ao crime organizado e à exploração ilegal do espaço público é necessário, mas não autoriza “medidas que atinjam indistintamente trabalhadores que exercem atividade lícita e aguardam, há décadas, políticas públicas que não só os reconheça, mas também os inclua no planejamento da cidade”. 

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A ação também pede que a Justiça obrigue a União e o município a desenvolver em conjunto um plano para a gestão das praias, conciliando ordenamento urbano, combate a atividades criminosas e proteção dos direitos dos ambulantes.

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), se manifestou sobre o processo nas redes sociais. Ele atacou o procurador, a quem atribuiu um “histórico de postura meramente ideológica”, e disse que a prefeitura e o governo estadual têm competência para “coibir irregularidades, combater o crime organizado e garantir a autoridade e no espaço público”. “Que a Justiça Federal faça o seu papel e ratifique o óbvio”, escreveu Cavaliere.

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Em comunicado, o MPF afirmou que acompanha denúncias sobre apreensões arbitrárias de mercadorias, violência institucional, dificuldades para obtenção de licenças e falta de políticas públicas para ambulantes desde 2022 e que, em uma audiência pública no ano passado, mais de 150 trabalhadores relataram agressões físicas, apreensões consideradas ilegais e ausência de diálogo com o poder público.

“Dados apresentados na ação revelam que o Rio de Janeiro reúne cerca de 35 mil trabalhadores de rua, em sua maioria negros, de baixa renda e com acesso limitado à formalização, enquanto apenas uma parcela reduzida possui licença para atuar. O cenário revela a ausência histórica de políticas públicas de regularização. O MPF sustenta que o poder público deve investir em inclusão, diálogo e formalização, sem transformar toda a categoria em alvo de medidas repressivas indiscriminadas”, defende o Ministério Público Federal.

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