Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90

Moraes vota para condenar mandantes da morte de Marielle: ‘Crime político, misoginia e racismo’

Ministro concluiu que irmãos Chiquinho e Domingos Brazão encomendaram atentado porque vereadora se tornou obstáculo para grilagem da milícia

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 fev 2026, 10h40 • Atualizado em 25 fev 2026, 11h48
  • O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira, 25, para condenar os irmãos Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, e Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio, pelo assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, executada a tiros em 14 de março de 2018. Moraes cravou que os irmãos foram os mandantes do atentado e determinaram a “eliminação” da vereadora.

    O assassinato foi considerado um crime político. “Se juntou a questão política com a misoginia, com o racismo, com a discriminação. Marielle Franco era uma mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos”, destacou o ministro. 

    Por ser o relator do processo, Moraes foi o primeiro a se manifestar no julgamento, após ouvir os argumentos da Procuradoria-Geral da República (PGR), que ofereceu a denúncia, e das defesas. O ministro encampou a versão da acusação, de que a vereadora foi morta por contrariar interesses econômicos dos irmãos Brazão na exploração irregular de territórios por meio de grilagem e de alianças com milicianos. “Marielle Franco se tornou um obstáculo relevantíssimo aos interesses econômicos e políticos dos mandantes”, concluiu o ministro.

    Moraes considerou também que a execução da vereadora foi decretada para mandar um “recado” para o seu grupo político e para inibir atuações incisivas contra a milícia. “O erro foi que não esperavam essa grande repercussão”, diagnosticou o relator.

    O ministro destacou que a morte de Marielle escancara a infiltração de milicianos nos órgãos estatais do Rio. “O crime organizado infiltrado na estrutura do estado. Obviamente não pelo interesse público, mas sim para defender os interesses das milícias”.

    Continua após a publicidade

    O voto a favor das condenações era esperado pelas defesas. Foi Moraes quem mandou prender os irmãos Brazão, apontados como mandantes do crime, e o delegado Rivaldo Barbosa, que teria ajudado a arquitetar o atentado e a obstruir as investigações, em março de 2024. Os três seguem presos – Chiquinho Brazão em prisão domiciliar e Domingos Brazão e Rivaldo Barbosa em presídios federais. 

    A denúncia atribui a eles três crimes: homicídios triplamente qualificados, de Marielle e do motorista Anderson Gomes; tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, assessora que sobreviveu ao ataque; e organização criminosa. Em relação ao delegado, Moraes considerou que há “dúvida razoável” sobre a participação dele no planejamento do atentado, mas defendeu a condenação por obstruir as investigações.

    Também respondem ao processo o ex-policial militar Ronald Paulo de Alves, o “Major Ronald”, que teria monitorado a vereadora, e o ex-assessor Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, que trabalhou com Domingos Brazão no TCE. Moraes votou para condenar ambos.

    Continua após a publicidade

    A investigação teve uma guinada a partir da delação premiada de Ronnie Lessa, atirador que confessou participação no crime e implicou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão como mandantes do atentado. Élcio Queiroz, motorista do carro usado no crime, também colaborou com as autoridades. 

    A legislação não permite que condenações sejam baseadas exclusivamente na palavra de delatores. Essa é a brecha que as defesas buscaram explorar. Os advogados alegaram que a denúncia não reuniu indícios complementares a partir dos acordos de colaboração e que não há provas que liguem diretamente os réus ao atentado.

    Para Moraes, no entanto, a investigação encontrou provas autônomas que confirmam as delações. O ministro mencionou, por exemplo, depoimentos de testemunhas que atestam a proximidade dos irmãos Brazão com milicianos e com Ronnie Lessa, documentos que ligam a família ao mercado imobiliário irregular e dados que demonstram influência política do clã em regiões dominadas por grupos paramilitares. “Só entra na região de milícia para fazer campanha quem a milícia apoia”, disse Moraes.

    Continua após a publicidade

    O ministro destacou também as nomeações de milicianos para cargos comissionados nos gabinetes dos irmãos Brazão na Câmara Municipal, na Assembleia Legislativa e no Tribunal de Contas do Estado, além da infiltração do miliciano Laerte Silva de Lima no PSOL.

    Em sua delação, Ronnie Lessa confessou, sem pudor, a oferta que aceitou para executar Marielle: “Eu estava encantado, eu estava louco, cego com os 25 milhões que eu ia ganhar”. O valor, segundo o matador de aluguel, era referente a uma grande área entre Jacarepaguá e Praça Seca, junto ao Morro da Chacrinha, na Zona Sudoeste do Rio. Moraes destacou que a região estava efetivamente sob o domínio de Chiquinho e Domingos Brazão. “Há total conexão entre a motivação do crime e a forma de pagamento. Há comprovação de que essa área era de total influência política e criminosa, miliciana, dos irmãos Brazão”.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).