Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Ministro da Defesa prevê mais mortes na fase final da intervenção no Rio

Após morte de três militares, general do Exército afirmou que não haverá vingança, mas que conflito deve se intensificar e "gerar mais mortes"

Por Da redação - Atualizado em 25 ago 2018, 10h33 - Publicado em 25 ago 2018, 10h24

O ministro da Defesa, o general do Exército Joaquim Silva e Luna, afirmou que os conflitos entre as Forças Armadas e facções criminosas devem se intensificar e “gerar mais mortes” durante a fase final da intervenção federal no Rio de Janeiro, que deve se encerrar em 31 de dezembro. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Globo, publicada neste sábado, e ocorre na mesma semana em que três militares foram mortos numa operação realizada no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio.

“[Enfrentamentos entre grupos rivais] tendem a se intensificar e gerar mais mortes. Isso não é uma profecia. É uma conclusão. Ao se defrontar com o criminoso, a tendência da polícia, por falta de meios, era se omitir. Agora, ela está disposta a enfrentar. Isso aí pode aumentar a letalidade. A ação da polícia não é matar. Ela vai para tentar prender. Do enfrentamento pode surgir a morte”, afirmou o general.

A ação no Complexo do Alemão foi a que teve mais baixas entre os militares nas últimas décadas. Em 2014, um militar foi morto e outros 27 ficaram feridos durante uma ação no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. Na missão de paz no Haiti, que durou treze anos, mais de 20 militares morreram, mas em decorrência de terremotos que devastaram o país.

O general também afirmou que, para evitar uma contraofensiva da tropa pela morte dos três militares, trocou o efetivo que faz a patrulhamento no local. “Se nos deixarmos dominar por isso, a missão acaba”, sentenciou.

Publicidade

O general também afirmou que a avaliação da população sobre a intervenção dependerá em partes de descobrir quem foram os autores da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada a tiros em 14 de março no Estácio, centro da cidade. “O caso Marielle vai ser parte da percepção do êxito. Resolvido, é uma percepção. Não resolvido, é outra percepção”, disse ele.

Publicidade