Meteorologista explica riscos da chegada de ciclone explosivo ao Sudeste e possível ligação com El Niño
No Ponto de Vista, Hiremar Soares fala sobre a formação do fenômeno, prevê efeitos da frente fria em São Paulo e reforça cuidados
O avanço da frente fria associada ao chamado ciclone bomba pode provocar ventos de forte intensidade, tempestades e raios em áreas do Sudeste. Em entrevista ao Ponto de Vista, programa de VEJA apresentado por Laísa Dall’Agnol, o meteorologista Hiremar Soares alertou para a possibilidade de rajadas entre 80 e 120 km/h em algumas regiões e recomendou atenção redobrada aos avisos da Defesa Civil. O fenômeno já havia provocado estragos no Rio Grande do Sul e reflexos no litoral de São Paulo (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo Soares, o termo técnico para o fenômeno é “ciclone explosivo”. A classificação está relacionada à rápida queda da pressão atmosférica no núcleo do sistema. O meteorologista explicou que ciclones são recorrentes, mas ressaltou que o problema, neste caso, está na intensidade dos ventos e nas chuvas associados à frente fria.
Quais são os principais riscos do ciclone bomba?
O meteorologista chamou atenção especialmente para as regiões litorâneas do Sul e do Sudeste. Além dos efeitos nas cidades, ele destacou os riscos para embarcações e para a aviação em razão dos ventos fortes e da nebulosidade associada à frente fria.
No Rio Grande do Sul, o programa mostrou os estragos já associados ao fenômeno. Porto Alegre registrou ventos superiores a 120 km/h, enquanto um tornado atingiu Pedro Osório. Em Pelotas, parte do muro do presídio regional caiu. No litoral paulista, rajadas chegaram a 109 km/h, segundo a Defesa Civil, e houve interrupções em atividades portuárias, travessias de balsas e aulas.
São Paulo pode ser atingido pelos ventos fortes?
Soares afirmou que a frente fria associada ao ciclone já havia alcançado o sul de São Paulo, na divisa com o Paraná. Ele fez uma distinção: não é necessariamente o ciclone em si que avança pelo estado, mas a frente fria ligada ao fenômeno.
Segundo o meteorologista, o sistema pode provocar ventos intensos no interior e alcançar também a capital paulista. “A gente vai ter um vento noroeste bastante forte chegando aí, como a gente viu, 40 a 60 nós, que dá mais ou menos 80 a 120 km por hora em algumas regiões.”
Soares ponderou, porém, que os efeitos não devem ocorrer de maneira uniforme em todo o estado. A intensidade dependerá da localização da frente fria. “Tem que ter cuidado, sim. Não vai ser em todo o estado”, afirmou.
O El Niño tem relação com o ciclone?
Durante o Ponto de Vista, Laísa também questionou o meteorologista sobre uma possível relação entre o ciclone e o El Niño. Soares ressaltou que não é possível estabelecer uma ligação direta entre os dois fenômenos apenas pela ocorrência simultânea e que uma conclusão científica dependeria de análises posteriores.
Ele observou, no entanto, que o El Niño pode potencializar chuvas no Rio Grande do Sul e contribuir para intensificar determinadas condições associadas aos ciclones. Soares lembrou ainda que esses sistemas são recorrentes na região, embora nem sempre produzam impactos de grande repercussão.
Como a população deve se proteger?
O alerta principal do meteorologista é evitar áreas próximas a árvores e postes durante episódios de ventania, diante do risco de quedas e de danos à rede elétrica. Em locais abertos, a preocupação se estende às tempestades com raios. Chuvas intensas também podem provocar alagamentos e ampliar os riscos em áreas vulneráveis.
Soares reforçou ainda a importância de levar a sério os alertas enviados pelas autoridades. Mesmo quando a previsão mais grave não se confirma exatamente no bairro ou na cidade do morador, o aviso pode corresponder a uma situação crítica em áreas próximas.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







