Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Marielle Franco: a quem interessava seu assassinato?

Vereadora de 38 anos, executada com quatro tiros na cabeça, é a primeira vítima política da barbárie do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, quinta-feira, 15 de março. Sob um sol de quase 40 graus, uma multidão se reuniu nas escadarias do Palácio Pedro Ernesto, onde fica a Câmara Municipal, para homenagear Marielle Franco, a vereadora de 38 anos executada com quatro tiros na cabeça na noite anterior. Marielle era novíssima na política: eleita pelo PSOL em 2016, com 46500 votos (a quinta maior votação), entrava no segundo ano de mandato. Voz vibrante a favor das mulheres, dos negros, dos homossexuais e dos favelados — categorias em que se encaixava pessoalmente —, tinha intensa atuação dentro e fora da Câmara. A morte brutal a agigantou ao adicionar um componente político ao inaceitável caldeirão de violência que engolfa o Rio: os disparos abateram uma pessoa eleita pelos cariocas para representá-los. Exato um mês depois de instalada, a intervenção federal nas polícias fluminenses, que imaginava ter tempo para agir, vê-se encostada na parede. “A ação federal foi desafiada pelo assassinato de Marielle”, diz a cientista social Silvia Ramos, especialista em segurança pública.

Como no Brasil politicamente polarizado tudo é visto pela lente da deformação ideológica, já apareceram críticas à enorme repercussão do crime, creditando-a ao perfil de Marielle: mulher, negra, lésbica, esquerdista. Nada mais equivocado. Seu assassinato é um símbolo dramático porque se trata de uma execução contra uma voz pública, que detinha um mandato popular. Sua morte traz à memória a carnificina de uma Medellín dos anos 90, em que o crime chegava perigosamente perto de controlar o Estado, ameaçar autoridades e abalar as instituições da Colômbia. Fosse a vítima um homem, branco, heterossexual e direitista, a gravidade não seria um milímetro menor. Por tudo isso, o presidente Michel Temer tocou no ponto nevrálgico: é um atentado à democracia.

Por que, afinal, Marielle foi executada a tiros? Quem tinha interesse em sua morte?

Assine agora o site para ler na íntegra esta reportagem e tenha acesso a todas as edições de VEJA:

Ou adquira a edição desta semana, a partir desta sexta-feira, 21 de março de 2018, para iOS e Android.

Aproveite: todas as edições de VEJA Digital por 1 mês grátis no Go Read.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Sempre Tergiversando Falcatruas (STF)
    Somos 240 Milhões De Otários Inúteis…
    STF Advogando Para O Crime Organizado

    Curtir

  2. A quem interessava não sabemos, mas se levarmos em consideração que o PSOL vai utilizar exaustivamente a imagem da vereadora assassinada como bandeira eleitoral e a intervenção federal vem sendo colocado em cheque, podemos ter uma boa ideia dos elementos que vão se beneficiar diretamente.

    Curtir

  3. A morte dela interessa a homens como os que postaram comentários cheios de ódio, preconceito e arrogância, incapazes de enxergar que foi crime político sim. Mataram a Marielle mas multiplicaram a sua luta. Gente que comemora o assassinato de uma líder após as suas denúncias de violência contra as populações pobres, e que defendia a vida, são o maior atraso que o mundo pode ter. Pessoas lamentáveis, durmam com as imagens das ruas repletas de pessoas indignadas com essa injustiça. Vocês não valem um tostão mesmo.

    Curtir

  4. Eu estou vendo esse pessoal , Boulos , Freixo , Erica Kokai etc aparecendo mais que papagaio de pirata .Mas quando quem morre é um policial ou um pai de família , aí não é com eles. Então eu diria que serve às esquerdas .

    Curtir

  5. Fosse um avião cheio dos politicos de Brasilia seria celebração!

    Curtir

  6. ronaldo da silva fernandes

    Interessa a todos do PSOL, PT…. A todos os aproveitadores de plantão ou oportunistas para enganar levando a população crer que a morte dessa mulher foi uma trama idealizada por pessoas envolvidas contra a defesa da mulher em especial a brasileira batalhadora, honesta, na maioria, responsavel pela criação e boa educação de seus filhos e tal…. porém, é fato sabermos que o passado dela acabou comprometendo o presente e o desfeixo foi fatal.. Sensacionalistas, rebeldes e irrevolucionários…. creio que 46.500 votos não representam a população carioca e nem a fluminense num total… grupos facciosos, ativistas estão querendo usufruir (explorar) ao máximo desse trágica violência contra a mulher. Isso é uma forma de os contraventores tentarem desviar o foco da segurança no Rio para uma morte paralela tentando colocar em xeque a intervenção na Cidade. O crime organizado obriga certa parte da população a eleger quem eles querem para defender seus interesses no legislativo e se ela era contra a intervenção mais não deu conta para a qual foi posta no poder público, acabaram por vitimiza-lá. Isto é fato.

    Curtir