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Manifestantes prometem mais protestos em São Paulo

Novos atos têm até o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) entre os alvos

Por Da Redação
20 jun 2013, 01h42

A revogação do aumento de 0,20 centavos na tarifa de ônibus, trem e metrô foi comemorada por centenas de pessoas na noite desta quarta-feira, na Avenida Paulista, em São Paulo. Não como um triunfo final, mas como a primeira vitória de um movimento que pretende ser ampliado para outros temas. “Tá só começando” e “a tarifa abaixou, mas a luta não acabou” eram os coros que prevaleciam na avenida.

“Começou por causa dos R$ 3,20, mas não é só isso; tem muita coisa para fazer ainda”, disse a bailarina Luana Marques, de 22 anos. “Não sei para onde a coisa vai virar agora, mas sei que quero me expressar, quero mudar alguma coisa. Espero que o movimento continue e se multiplique sobre outros temas mais importantes.”

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Além de causas genéricas como melhores serviços públicos e combate à corrupção, manifestantes apontam que o próximo alvo dos protesto será o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, que na na quarta-feira aprovou o projeto de lei que ficou conhecido como “cura gay” – o projeto susta dois itens do regimento do Conselho Federal de Psicologia (CFP): proíbe psicólogos de colaborarem com “eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade” e de “reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica”. Uma manifestação contra o deputado foi marcada para sexta-feira, na Praça Roosevelt.

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A comemoração pela queda da tarifa começou às 20 horas em frente ao Masp, com cerca de mil pessoas, segundo a estimativa de policiais militares que fizeram a segurança no local. Um trecho da avenida foi fechado nos dois sentidos para permitir a comemoração, mas metade das pessoas preferiu tomar a Rua da Consolação até o centro, apesar de alertas de outros manifestantes de que “ia dar confusão”.

“A polícia disse que podemos ficar no Masp, que não vai ter problema nenhum. Vamos sair daqui para tomar bala de borracha, pra quê?”, questionava Ricardo Almeida, de 21 anos, do grupo de ativismo virtual Anonymous. “A luta não é contra a polícia, é contra o sistema”, afirmava, tentando convencer as pessoas a ficar.

Medo – Muitos não ficaram, mas o medo de um novo confronto com a polícia não se materializou. Centenas de pessoas desceram pela Rua da Consolação, em meio ao trânsito, por volta das 21 horas. Policiais em motocicletas apenas acompanhavam a multidão e paravam ou redirecionavam o trânsito à medida que a passeata avançava. Muitos motoristas buzinavam em apoio aos manifestantes e até botavam a mão para fora do carro, para cumprimentá-los. “Olha que legal, o Brasil parou e nem é carnaval”, cantava o grupo.

“A passagem já baixou, agora tem de levantar uma nova bandeira; no mínimo saúde e educação”, disse o caminhoneiro Antonio Justino, de 73 anos, que aplaudiu a passagem da manifestação pelo centro da cidade. “O mundo inteiro está apoiando esse movimento.”

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Às 22 horas, cerca de 300 pessoas chegaram à sede da Prefeitura de São Paulo e cantaram o Hino Nacional, observados por policiais militares e mais de 30 guardas-civis que se postaram em frente ao prédio. O clima era de paz e não houve confrontos. No final, os manifestantes até aplaudiram os policiais. “Quem quer colocar a gente contra vocês são aqueles que querem que as coisas permaneçam como estão”, disse o fotógrafo Douglas Agostinho Teodoro, de 34 anos, que “liderou” a passeata espontaneamente ao longo do trajeto. “Não sou de nenhum movimento; só sei o que é certo e o que é errado”.

Bastante emocionado, ele disse que a redução da tarifa era “só a primeira batalha, para mostrar nossa força e fazer as pessoas nos ouvirem”. As próximas bandeiras do movimento popular, segundo ele, devem ser as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) 33 e 37, que retiram poderes do poder Judiciário e dos Ministérios Públicos. “Essas PECs não são um golpe da corrupção, que quer derrubar o tripé da democracia”, disse Teodoro. “Me recuso a voltar para casa e deixar que as coisas continuem assim.”

A redução da tarifa de ônibus, para ele, não passou de “mais uma manobra” política, já que, segundo o discurso do prefeito Fernando Haddad, o dinheiro para cobrir o “rombo” terá de sair de algum outro lugar. “Ele acha que a gente é tonto? Esse dinheiro que saia do salário dele.”

(Com Estadão Conteúdo)
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