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Máfia da merenda: lobista foragido se entrega à polícia

Marcel Ferreira Júlio é apontado como operador de propinas no esquema que fraudou contratos de fornecimento de merenda escolar no Estado de São Paulo

Apontado pelo Ministério Público como um dos operadores de propina da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) no esquema de corrupção que fraudou contratos de fornecimento de merenda escolar do governo de São Paulo, investigado pela Operação Alba Branca, o lobista Marcel Ferreira Júlio se entregou à Polícia Civil na tarde desta quinta-feira na cidade de Bebedouro (SP). Ele estava foragido desde a deflagração da Alba Branca, em janeiro, e será ouvido pelos investigadores a partir de amanhã.

Por motivos de segurança, a Polícia Civil não informou para onde Júlio foi levado, limitando-se a dizer que é uma cadeia pública na região de Ribeirão Preto. Os investigadores da operação esperavam que o lobista se entregasse na manhã de hoje, conforme combinado com sua defesa, para iniciar as oitivas na sequência, mas ele não se apresentou no período acertado e impossibilitou o início imediato dos depoimentos.

O pai de Marcel Ferreira Júlio, o ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo Leonel Júlio, foi um dos sete presos da Alba Branca nesta semana, quando a Polícia Civil cumpriu dez mandados de busca e apreensão e sete de prisão nas cidades de São Paulo, Campinas, Bebedouro, Severínia e Barretos. Leonel Júlio foi ouvido pelos procuradores e negou ter participado de acertos do esquema de corrupção investigado.

Embora o ex-presidente da Coaf Cássio Izique Chebabi e outros funcionários da cooperativa presos pela Alba Branca atribuam ao lobista um papel central na operação do esquema, a defesa de Marcel Ferreira Júlio diz que ele tinha um acordo não contratual com a Coaf para prestar serviços de lobby na Secretaria de Educação de São Paulo. Pelos serviços, Marcel Júlio recebia 10% dos valores dos contratos.

Para fazer jus às comissões pagas pela Coaf, o lobista se valia do contato com Jeter Rodrigues, ex-funcionário do gabinete da presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo, ocupada pelo tucano Fernando Capez. Segundo a defesa do lobista, ele e Jeter Rodrigues foram os responsáveis por “destravar” uma chamada pública em favor da Coaf e livrar a cooperativa do prejuízo. A defesa de Ferreira Júlio afirma, no entanto, que ele não conhece o deputado e diz não saber se Rodrigues falava em nome dele.

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