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Greve dos caminhoneiros: o que se sabe até agora sobre a ameaça de paralisação

A categoria mantém indicativo de paralisação e aguarda medidas do governo Lula sobre frete e diesel; decisão deve sair em assembleia nesta quinta

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 mar 2026, 08h47 • Atualizado em 19 mar 2026, 19h23
  • A ameaça de uma nova greve de caminhoneiros voltou ao radar do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio à alta do diesel e à insatisfação com o valor dos fretes. Embora a paralisação ainda não tenha sido confirmada, lideranças da categoria afirmam que o movimento segue em “estado de alerta.

    O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que os motoristas aguardavam a formalização das medidas anunciadas pelo governo antes de bater o martelo.

    Chorão falou a VEJA sobre a condição da categoria para cancelar a manifestação.

    Após assembleia nacional marcada para esta quinta, 19, às 16h, em Santos, São Paulo, os caminhoneiros decidiram suspender a greve, mas manter o estado de alerta. Confira uma linha do tempo dos fatores que podem levar a uma nova greve.

    A possível paralisação foi tema de análise no programa Ponto de Vista desta quinta, 19, com análise de Mauro Paulino: saiba mais sobre os comentários dos colunistas de VEJA.

    Por que os caminhoneiros ameaçam parar?

    O principal motivo da mobilização é a disparada no preço do diesel, pressionada pela instabilidade no Oriente Médio e seus impactos no petróleo.

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    A categoria também reclama do descumprimento da tabela mínima de frete — uma das principais garantias econômicas dos caminhoneiros. Saiba o que é a tabela mínima e como ela está no centro das discussões da categoria.

    Segundo lideranças, muitas empresas seguem pagando abaixo do piso obrigatório.

    O que o governo propôs até agora?

    O governo federal apresentou um pacote de medidas para tentar conter a paralisação: reforço na fiscalização da tabela de frete pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); possibilidade de barrar empresas infratoras de contratar transporte; proposta para que estados zerem o ICMS sobre o diesel; e compensação de 50% das perdas de arrecadação, estimadas em R$ 1,5 bilhão.

    O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o governo pretende agir com mais rigor contra o descumprimento das regras.

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    O que falta para a greve ser confirmada?

    Apesar das negociações, os caminhoneiros ainda consideram as medidas insuficientes — ao menos até que sejam detalhadas oficialmente.

    “Vamos aguardar ser publicado no Diário Oficial para ver de que jeito será feito esse travamento”, disse Landim.

    A assembleia desta quinta será decisiva para avaliar se as propostas atendem às demandas da categoria.

    Quais seriam os impactos de uma paralisação?

    Caso a greve seja confirmada, o país pode enfrentar efeitos semelhantes aos de 2018: desabastecimento de combustíveis, falta de produtos em supermercados, bloqueios em rodovias e aumento de preços.

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    Além dos impactos econômicos, uma paralisação prolongada pode gerar desgaste político relevante para o governo em ano pré-eleitoral.

    O fantasma da greve de 2018

    A ameaça de uma nova paralisação remete diretamente à crise de 2018, quando uma greve de dez dias paralisou o país, provocou desabastecimento generalizado e deixou efeitos duradouros na economia. Naquele episódio, a mobilização foi a maior da história da categoria e superou protestos anteriores, como os de 2015 e as paralisações regionais de 1979.

    O estopim da greve de 2018 foi o aumento acelerado do preço do diesel. Entre julho de 2017, quando a Petrobras passou a adotar uma política de preços alinhada ao mercado internacional, e maio de 2018, o combustível subiu 56,5% nas refinarias, segundo cálculos do setor. O valor saltou de cerca de R$ 1,50 para R$ 2,34 por litro, sem considerar impostos.

    Para os caminhoneiros, o impacto foi direto. O diesel representa uma fatia relevante dos custos da atividade, cerca de 42% do frete, e o aumento repentino tornou a operação economicamente inviável para muitos profissionais. Sem conseguir repassar esse custo para o valor cobrado pelo transporte, a categoria iniciou bloqueios em rodovias de todo o país a partir de 21 de maio de 2018.

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    Em poucos dias, os efeitos se espalharam. Postos ficaram sem combustível, supermercados registraram prateleiras vazias e aeroportos enfrentaram cancelamentos de voos por falta de querosene de aviação. Indústrias reduziram ou suspenderam atividades, e serviços básicos passaram a operar com restrições.

    O impacto econômico foi significativo. A paralisação retirou 1,2 ponto porcentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018, segundo estimativas do Ministério da Fazenda à época. Setores produtivos acumularam prejuízos bilionários, e o governo foi pressionado a agir rapidamente.

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