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Governo recusa proposta de grevistas na primeira mesa de negociações

Foi rejeitada proposta de equiparação salarial dos servidores de nível superior, que resultaria em um aumento de 78%

Por Cida Alves, de Brasília - 14 ago 2012, 12h48

A primeira mesa de negociações do governo com servidores federais em greve durou menos de uma hora e terminou com a recusa do Ministério do Planejamento em atender a proposta dos servidores. Eles pediam a equiparação dos salários dos funcionários de nível superior do Executivo, que resultaria em um reajuste de 78%, segundo cálculos da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef). O governo marcou uma nova reunião para sexta-feira com a promessa de apresentar uma contraproposta.

Os representantes da Condsef se reuniram com o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, nesta manhã. A entidade queria a equiparação de pelo menos 18 categorias à tabela especial de remuneração dos servidores de ensino superior criada com a lei 12.277 de 2010, que concedeu reajuste diferenciado para cinco profissionais: engenheiro, arquiteto, economista, estatístico e geólogo. Hoje, esses profissionais têm salário base inicial de 5.460 reais, e final de 10.209 reais. Segundo os sindicatos, os demais servidores com formação superior começam a carreira ganhando aproximadamente 2.000 reais e terminam com 7.000. Segundo o Condsef, o reajuste atingiria cerca de 20.000 servidores.

“Antes do governo dizia concordar com a nossa proposta”, afirmou o secretário-geral da Condsef, Josemilton Costa. “Agora o secretário afirma que não é possível atender a essa demanda e que apresentará uma proposta para a categoria em uma nova reunião marcada para sexta-feira”.

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o governo acuado pelo seu braço sindical

Corte de ponto – Também nesta terça-feira, o governo enviou uma orientação aos gestores de Recursos Humanos de todas as áreas do funcionalismo público federal para que cortem o ponto dos servidores que não compareçam ao trabalho sem justificativa, conforme determina a legislação. Segundo o Ministério do Planejamento, o corte refletiria já na folha de pagamento de agosto. Os servidores pretendem negociar a devolução do dinheiro do corte de ponto no final da greve.

Estão marcadas mais três reuniões de negociação para esta terça-feira. Às 14 horas, serão recebidos os representantes dos servidores do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Incra. Em seguida, está programada a reunião com os técnicos administrativos das universidades federais e, às 17 horas, com os funcionários da Fundação Oswaldo Cruz.

Até a manhã desta terça-feira, estava descartada a concessão de reajuste linear para os servidores. Ainda hoje o Ministério do Planejamento estava às voltas com cálculos para saber quais aumentos poderiam ser concedidos e para quais categorias. Caso fossem atendidas todas as reivindicações dos servidores em greve, o impacto no orçamento seria de mais de 9 bilhões de reais.

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Enquanto o comando de greve está reunido com o governo, grevistas fazem manifestações em frente ao Ministério do Planejamento com faixas e megafones. Para amanhã, está marcada uma caminhada pela Esplanada dos Ministérios durante a manhã. Os manifestantes passarão pelo Palácio do Planalto, onde a presidente Dilma Rousseff anunciará um pacote de concessões para alavancar a economia às 10 horas, com a presença dos principais empresários do país.

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