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General fala sobre a sua indicação para comandar a Petrobras

Joaquim Silva e Luna diz a VEJA que foi surpreendido com a decisão de Bolsonaro e que ainda não falou com o ministro da Economia, Paulo Guedes

Por Thiago Bronzatto Atualizado em 22 fev 2021, 10h32 - Publicado em 20 fev 2021, 14h30

O general da reserva Joaquim Silva e Luna foi o primeiro militar nomeado como ministro da Defesa. Escolhido em fevereiro de 2018 pelo então presidente Michel Temer, Silva e Luna trabalhou durante quatro anos na pasta, exercendo o papel de secretário-executivo e cuidando do orçamento das Forças Armadas. Logo no início do governo Bolsonaro, ele ganhou outra missão: dirigir a usina hidrelétrica de Itaipu. No ano passado, os resultados da empresa, que apresentou uma produtividade recorde, chamaram a atenção do presidente da República. Recentemente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro fez elogios públicos ao trabalho de Silva e Luna. Nos últimos dias, pressionado por caminhoneiros após a alta do preço do diesel, Bolsonaro sondou o general de Itaipu sobre a possibilidade de comandar a Petrobras. Silva e Luna agradeceu a confiança e disse que, “se fosse para servir a pátria, estava pronto”. Mas o próprio militar foi surpreendido na última sexta-feira, 19, quando foi informado, após o fechamento da bolsa de valores, que iria de fato substituir Roberto Castello Branco à frente da estatal.

A decisão de Bolsonaro conflagrou uma crise na Petrobras e na equipe econômica. Em reuniões recentes, o ministro da Economia, Paulo Guedes, vinha elogiando a “extraordinária gestão” de Castello Branco, sua indicação, na Petrobras. Até o momento, Guedes não conversou com Silva e Luna. “Não tive oportunidade de conversar com ele. Mas imagino que vou ter. Eu fui indicado. A palavra é ‘indicado’. Fui indicado para ser presidente da Petrobras. Ainda serei avaliado pelo Conselho de Administração da empresa. Ou seja, há um caminho a ser percorrido”, diz o general a VEJA.

A escolha do militar para substituir um executivo alinhado com a agenda liberal do ministro da Economia suscitou uma série de críticas ao governo Bolsonaro. Luiz Octavio da Motta Veiga, ex-presidente da Petrobras, disse que o episódio é “lamentável”. “O governo quer controlar preço para não impactar a inflação. Dilma e Collor tentaram segurar. Agora estamos em outro modelo que é segurar preço para fazer populismo. No fundo é a mesma coisa por razões diferentes”, afirmou ele. O ex-secretário de desburocratização do ministério da Economia, Paulo Uebel, que deixou o governo após não conseguir tirar a reforma administrativa do papel, disse: “Dia muito triste para o Brasil. Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, será substituído por estar fazendo o trabalho certo: blindar uma empresa Estatal contra o uso político, contra o populismo”.

Essas críticas não incomodam Silva e Luna. “Quando o presidente Bolsonaro me escolheu para ir para Itaipu, ele não enxergou em mim um general. Ele enxergou um gestor. Nesses dois anos que estou em Foz do Iguaçu, conduzindo a Itaipu e fazendo muitas mudanças, em nenhum momento exerci o papel de general aqui dentro. Em nenhum momento. O que o presidente está enxergando é um gestor”, afirma o militar. “Por que estou dizendo isso? A última coisa que alguém possa estar imaginando é colocar um general na Petrobras. Até seria ruim para a imagem da empresa. O que se está enxergando é alguém com capacidade de gestão que já foi testado”, diz Silva e Luna.

O general escolhido por Bolsonaro para chefiar a Petrobras diz que prefere não falar neste momento sobre o seu plano de gestão para a companhia e evita revelar o que pensa sobre a alta do preço do diesel. “Qualquer coisa eu fale agora sobre Petrobras, entendo que seria precipitado, delicado e ilegítimo, porque tem um presidente lá”, diz ele. “O que posso afiançar é que é um grande desafio, o maior que muitos outros que já tive que superar e enfrentar ao longo da minha vida, e não foram poucos, mas não temo o gigantismo desse novo desafio”, afirma. “O que queremos é que sejam entregues resultados”, conclui ele.

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