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Em depoimento, Youssef diz que operava caixa do PP

No processo, doleiro é acusado de ajudar o ex-deputado José Janene (PP), morto em 2010, a esconder a origem de R$ 1,16 milhão recebidos no mensalão

Por Daniel Haidar, do Rio de Janeiro - 10 nov 2014, 18h57

O doleiro Alberto Youssef prestou novo depoimento na tarde desta segunda-feira à 13ª Vara Federal do Paraná. O interrogatório foi feito pelo juiz Sérgio Moro e pelo procurador da República Roberson Pozzobon, como parte da ação penal que o doleiro responde por ter ajudado o ex-deputado federal José Janene (PP), morto em 2010, a ocultar a origem ilícita de pelo menos 1,16 milhão de reais recebidos pelo parlamentar no mensalão, durante o escândalo de corrupção montado no governo Lula. No depoimento, Youssef teve de explicar como fez essa operação de lavagem de dinheiro. Durante a explicação, disse que operava recursos não apenas de Janene mas de todo o Partido Progressista.

“Não que eu administrasse recurso dessas outras pessoas, mas eu via esse caixa como caixa do partido”, disse Youssef.

Como estratégia de delimitar a atuação do doleiro como um operador do partido, o advogado Antonio Figueiredo Basto, que defende Youssef, pergunta no depoimento, gravado em vídeo, que partido era esse. Youssef responde: “Progressista”.

A participação de Youssef no mensalão foi uma das descobertas da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que desvendou um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de 10 bilhões de reais e desviou recursos dos cofres da Petrobras para o bolso de partidos e políticos.

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Também prestaram depoimento nesta segunda-feira o doleiro Carlos Habib Chater, o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, e Ediel Viana, um dos subordinados de Chater. Pereira da Costa ajudava Youssef na administração de empresas de fachada. Foi a primeira vez que Youssef se apresentou à Justiça desde que recebeu alta hospitalar há duas semanas.

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Como parte da estratégia de lavagem de dinheiro, Janene virou sócio da Dunel, uma empresa de Londrina (PR), como se fosse apenas um investidor interessado no crescimento do negócio e nos lucros. Mas, de acordo com o advogado Pereira da Costa, que intermediou a operação, o ex-deputado não aparecia formalmente no negócio, porque não a investigação como justificar a posse dos valores. A investigação constatou que o objetivo era, na verdade, encontrar um duto para desviar recursos para empresas de fachada comandadas por Youssef e dar aparência legítima ao dinheiro do mensalão.

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Além de Youssef, familiares de Janene também foram denunciados. A filha do ex-deputado, Danielle Janene, e o primo Meheidin Hussein Jenani, ajudaram na operação da indústria. O irmão de Janene, Assad Jannani, contribuiu na ocultação de ativos desviados da indústria Dunel, ainda de acordo com o Ministério Público. O doleiro Carlos Habib Chater, um dos pivôs da Operação Lava Jato, também participou do esquema de lavagem de dinheiro do ex-deputado. Se fosse vivo, José Janene também seria acusado, segundo o MPF.

A investigação foi aberta em 2009, quando um sócio enganado por Janene desconfiou do esquema. A partir deste inquérito, a Polícia Federal constatou que Youssef descumpriu acordo de delação premiada firmado com a Justiça e voltou a praticar crimes. Este foi o princípio da Operação Lava Jato. A polícia também constatou que o doleiro era o verdadeiro dono da corretora Bônus-Banval, uma das fontes dos recursos do mensalão.

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