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Despreparo da polícia dificulta busca no Peru, diz família

Pais de Artur Paschoali, de 19 anos, estão na região para ajudar na missão. Itamaraty deslocará diplomata para Machu Picchu e contatará autoridades locais especializadas em buscas na montanha

Por Marcela Mattos 4 jan 2013, 17h23

Há quatro dias em Santa Teresa, cidade próxima a Machu Picchu, no Peru, os pais do brasiliense desaparecido no dia 21 de dezembro enfrentam dificuldades na busca. Devido ao baixo efetivo policial, eles mesmos tiveram de mobilizar moradores para adentrar na região montanhosa a procura de Artur Paschoali, de 19 anos. Quinze pessoas trabalham na missão: oito policiais, cinco voluntários e os pais de Artur. O rapaz foi visto pela última vez há duas semanas, quando disse a colegas que sairia para fotografar.

As condições da região, montanhosa e por onde corre um rio com forte correnteza, não favorecem a procura. Os próprios policiais mostram-se despreparados, segundo a família de Artur. “Os policias perguntam para os meus pais aonde eles querem ir. É uma área muito grande, eles também estão perdidos”, conta o irmão do estudante, Felipe Paschoali, engenheiro civil de 27 anos.

A família, agora, espera auxílio do Itamaraty para acelerar e facilitar as buscas do estudante de Artes Cênicas da Universidade de Brasília (UnB). O órgão confirmou o pedido dos pais de Artur por ajuda e disse que já providencia medidas emergenciais. As principais são o deslocamento de um diplomata do consulado brasileiro em Lima para Machu Picchu e o contato com autoridades locais especializadas em buscas na região montanhosa.

O governo brasileiro estuda o pedido feito por um delegado peruano por um helicóptero e cães farejadores, devido à dificuldade de locomoção na região. O cônsul honorário do Brasil em Cusco, no Peru, Elson Espinosa Estrada, e o adido policial da embaixada brasileira em Lima, José Calazani, já acompanham as buscas.

Aventureiro – Felipe reconhece o espírito aventureiro do irmão e acredita que ele pode ter ido ao local por conta própria. No entanto, o engenheiro diz que Artur jamais ficaria todo esse tempo sem voltar para buscar a barraca na qual estava acampado ou dar notícias para a família. “Será que ele caiu no rio? Será que alguém fez alguma maldade? Ninguém sabe”, lamenta o irmão. “E se não tiver um investimento a gente nunca vai descobrir. Quanto mais o tempo passa, mais ele corre perigo.”

Artur está viajando há três meses com os amigos. No dia em que desapareceu, 21 de dezembro, ele enviou um recado para os pais dizendo que havia conseguido um emprego em um restaurante de Santa Teresa. Foi a última vez que os familiares tiveram contato com o rapaz.

Redes sociais – Familiares e amigos de Artur Paschoali recorreram às redes sociais para divulgar o desaparecimento do jovem. O grupo no Facebook “Vamos achar o Artur / #findartur”, criado na manhã desta quinta-feira, já soma mais de 4.000 integrantes. Além de postar links de notícias veiculadas na imprensa, os integrantes discutem formas de aumentar a divulgação. Uma das ações foi recorrer à pagina pessoal do jogador de futebol peruano, Paolo Guerrero, que atua no Corinthians, pedindo ajuda para noticiar o sumiço do brasileiro. Eles também movimentaram o microblog Twitter na tarde desta sexta-feira, ao publicarem a palavra-chave #findartur.

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