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Carta ao Leitor: Testemunha da história

Em 55 anos, o mundo mudou — VEJA também, mas sem jamais abandonar os cânones que a fizeram a mais relevante publicação brasileira

Por Redação 8 set 2023, 06h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 10h07
  • O Brasil vivia um tempo de ebulição política, em acalorados confrontos entre estudantes e soldados armados a mando da ditadura militar do general Arthur da Costa e Silva. O Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, levava Roda Viva, “a ascensão e queda de Benedito Silva, cantor medíocre transformado em ídolo da televisão”, em um espetáculo de “muitos palavrões e insultos nessa peça vale-tudo encenada por José Celso Martinez Corrêa com música de Chico Buarque de Hollanda”. No exterior, crescia a queda de braço entre a União Soviética e parte de seus satélites, como a Checoslováquia, que menos de um mês antes fora invadida por tanques soviéticos. Celebrava-se o extraordinário feito de um promotor de Justiça de São Paulo que morreu e deu vida a quatro outras pessoas, com a doação dos dois rins, o pâncreas e o coração. A empresa alemã Telefunken anunciava a chegada ao Brasil de um televisor de 41 centímetros, com exibição em preto e branco — “o pacificador”, na definição de um anúncio que punha o aparelho como se fosse um totem.

    Era esse o andar da carruagem em setembro de 1968. E então, com data do dia 11, VEJA chegaria às bancas de revistas com a histórica edição número 1. Na capa, a foice e o martelo em mãos adversárias e a chamada: “O grande duelo no mundo comunista”. Neste mesmo espaço, o da Carta ao Leitor, há 55 anos, Victor Civita, fundador da Editora Abril, escreveu: “O Brasil não pode mais ser o velho arquipélago separado pela distância, o espaço geográfico, a ignorância, os preconceitos e os regionalismos: precisa de informação rápida e objetiva a fim de escolher rumos novos. Precisa saber o que está acontecendo nas fronteiras da ciência, da tecnologia e da arte no mundo inteiro. Precisa acompanhar o extraordinário desenvolvimento dos negócios, da educação, do esporte, da religião. Precisa, enfim, estar bem informado. E este é o objetivo de VEJA”.

    Passadas cinco décadas, pode-se dizer que aquele mantra inicial de Civita — e que depois seria acompanhado por seu filho Roberto e, agora, pelo publisher Fabio Carvalho — nunca deixou de ser fielmente seguido. Em 2 858 semanas, incluindo esta agora, deu-se a cuidadosa construção de um caminho sustentado por dois grandes pilares: o jornalismo como rascunho da história, na definição de um veterano editor do jornal americano The Washington Post, e a permanente vigilância do poder, na defesa da livre-iniciativa e da democracia. Não por acaso, nessa longa e bela estrada, feita de muitos acertos e poucos erros — e quando errou, VEJA admitiu tê-lo feito —, deu-se a tradução do mundo. As revoluções, as mortes trágicas, amores e dores, o ser humano na Lua, os grandes avanços da ciência, as pandemias e as vacinas, os governantes honestos e os ladrões, a vida pública e a vida privada. VEJA fez rir. VEJA fez chorar. VEJA foi aplaudida. VEJA incomodou.

    É possível narrar o tempo em que vivemos por meio das páginas da revista — e não é raro que as pessoas, ao passearem pela aventura de cada semana, relembrem momentos coletivos e individuais, como um termômetro do que fomos e do que sonhávamos ser. O que não se supôs, por óbvio, era o extraordinário salto dado pela tecnologia que nos encaminhou para a velocidade da comunicação imposta pela internet. E, também nesse aspecto, VEJA soube seguir o tempo das transformações. Temos hoje, no site e nas redes sociais, aqui e agora, para já, em qualquer circunstância, a mesma relevância inaugurada naquela primavera de 1968. O mundo mudou — VEJA também, mas sem jamais abandonar os cânones que a fizeram a mais relevante publicação brasileira. Obrigado, leitor.

    LEIA EM PDF UMA SELEÇÃO DE EDIÇÕES HISTÓRICAS DE VEJA:

    11/SET/1968 – VEJA ED-1
    Conflito da URSS e seus satélites

    18/DEZ/1968 – VEJA ED-15
    O general em seu labirinto

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    23/JUL/1969 – VEJA ED-46
    Um passo para a humanidade

    10/DEZ/1969 – VEJA ED-66
    O horror da ditadura

    28/MAR/1979 – VEJA ED-551
    O sopro da liderança metalúrgica

    18/JUL/1979 – VEJA ED-567
    Revolução de comportamento

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    1º/FEV/1984 – VEJA ED-804
    A democracia volta a respirar

    10/AGO/1988 – VEJA ED-1040
    O drama do vírus HIV

    27/MAI/1992 – VEJA ED-1236
    O início do fim do presidente

    6/JUL/1994 – VEJA ED-1347
    A inflação enfim controlada

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    1º/MAR/1995 – VEJA ED-1381
    O futuro dentro dos lares

    5/MAR/1997 – VEJA ED-1485
    Cidadãos, replicai-vos! Ou não

    1º/ABR/1998 – VEJA ED-1540
    O sexo sem medo nem preconceito

    18/AGO/2004 – VEJA ED-1867
    De olho no governo do PT

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    5/FEV/2020 – VEJA ED-2855
    E então o mundo descarrilou

    18/AGO/2023 – VEJA ED-2672
    Nos bastidores do clã Bolsonaro

    Publicado em VEJA de 8 de setembro de 2023, edição nº 2858

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