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Após ameaça de resgate do PCC, Exército é escalado para proteger presídio

Autoridades estão em alerta máximo desde que foi detectado um plano para retirar lideranças da penitenciária federal de Brasília

Por Eduardo Gonçalves e Laryssa Borges - Atualizado em 7 fev 2020, 12h00 - Publicado em 7 fev 2020, 11h25

O presidente Jair Bolsonaro autorizou o uso das Forças Armadas para fazer a segurança do presídio federal de Brasília, onde estão presas as lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), entre elas Marco Camacho, o Marcola. Segundo texto publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial, os militares devem fazer a “proteção do perímetro externo” da penitenciária no período entre 7 de fevereiro e 6 de maio de 2020.

As autoridades estão em nível máximo de alerta desde que foi descoberto um plano de resgate da cúpula da facção criminosa no fim do ano passado. Em dezembro, as forças de segurança de Brasília encaminharam um informe confidencial ao staff do ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmando que estava sendo arregimentada uma equipe para retirar as lideranças de Brasília. Investigadores estimam que a logística do plano não sairia por menos de 30 milhões de reais, valores facilmente recuperáveis com a venda de apenas 200 quilos de cocaína em portos europeus. Um drone até chegou a ser visto sobrevoando o presídio no dia 20 de dezembro. VEJA detalhou o caso em reportagem da revista.

No dia 21 de janeiro, o secretário de segurança pública do DF, Anderson Torres, enviou um ofício a Moro, questionando-o sobre o “exato grau de ameaça” a que a população local estava sujeita. “O que se depreende de tudo que a imprensa tem divulgado e da movimentação da estrutura já trazida para o DF por estes criminosos é de que estamos próximos a um incidente que extrapola os muros da unidade prisional federal e tem a capacidade de expor a sério risco a vida, a tranquilidade e o patrimônio dos cidadãos que aqui residem”, escreveu o secretário.

O governo do Distrito Federal está em pé de guerra com Moro depois que ele decidiu transferir Marcola e a cúpula da facção criminosa para Brasília, em março do ano passado. Segundo o governo, foi um “grave erro estratégico” trazer os líderes para a cidade que “sedia todos os poderes da República e todas as representações internacionais diplomáticas e oficiais”.

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Segundo investigadores, o PCC se instalou na capital federal em 2012 e vem se expandindo desde a transferência. Uma casa teria sido alugada a 40 quilômetros da penitenciária para abrigar parentes de criminosos e servir de esconderijo para comparsas. Uma dupla de advogados foi alvo de buscas e está sendo investigada pela suspeita de ser mensageira das ordens do PCC para os faccionados fora dos presídios. Uma juíza da Vara de Execuções Penais recebeu ameaças por meio de um bilhete. Gangues conhecidas por assaltos a motoristas de aplicativos passaram a ser batizadas pela facção. Além da presença no presídio federal, há cerca de 150 filiados à organização criminosa na cadeia estadual de Brasília, a Papuda.

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