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“A bebê estava no banco do carona, chorando, nua”, diz delegada

Coronel Pedro Chavarry foi flagrado com menina de 2 anos dentro de seu carro, no último sábado, e autuado por estupro de vulnerável

Por Leslie Leitão Atualizado em 10 dez 2018, 09h33 - Publicado em 12 set 2016, 18h29

Após quase 24 horas de investigações, a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) deu uma entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira para explicar alguns detalhes de um episódio chocante ocorrido no último fim de semana. Na noite de sábado, o coronel reformado da PM Pedro Chavarry Duarte, de 62 anos, foi preso em flagrante com uma menina de 2 anos, dentro de seu carro, em um posto de gasolina em Ramos, na Zona Norte da cidade. Ele foi autuado por estupro de vulnerável e corrupção, já que tentou subornar os policiais militares que o prenderam. De acordo com a delegada Cristiana Bento, o sofrimento da menina durante o momento do abuso despertou a atenção de testemunhas que denunciaram o crime e chamaram a polícia.

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“Ele pediu um lanche no Bob`s e voltou para o carro, que estava estacionado no posto. Quando a funcionária se aproximou para entregar o lanche, a funcionária bateu na porta e ele se assustou. Então ela viu que a menina, que antes tinha avistado com uma jardineira jeans, estava nua. E já naquele momento a bebê estava no banco do carona, chorando, nua, somente com a calcinha revirada”, contou a diretora da Dcav.

Nesta segunda-feira, a Justiça decretou a prisão temporária de uma vizinha da família da vítima. Thuanne Pimenta dos Santos, de 23 anos, teria convencido o pai da menina a levá-la para uma sessão de fotos para uma campanha de Papai Noel. No último sábado, logo após a prisão do coronel, ela chegou a ser ouvida na condição de testemunha e disse ter deixado a criança com o coronel enquanto ia em casa buscar o celular que havia esquecido. “Há muitas contradições no relato dela”, diz a delegada.

Cristiana Bento contou ainda que o coronel Chavarry se recusou a prestar depoimento antes de ser levado para o Batalhão Especial Prisional (BEP). Ela explicou também que, no momento da prisão, antes de tentar subornar os PMs, o oficial tentou dizer que estava tentando trocar a fralda da criança: “Como trocar fralda se não havia outra fralda para trocar?”, questionou. A Dcav conseguiu na Justiça a busca e apreensão de computadores, documentos e celulares do coronel. Mas, durante o registro de ocorrência feito no último sábado, ele informou o endereço residencial errado. Até agora os agentes não encontraram o celular e nem o computador do acusado. No telefone celular de Thuanne foram encontradas várias fotos de crianças, mas a polícia ainda não sabe quem são essas crianças.

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A mãe da vítima prestou um primeiro depoimento na Central de Garantias e está muito abalada. Ela, que é manicure, estava trabalhando quando foi avisada do episódio. O pai, um entregador de farmácia, contou que deixou a filha com Thuanne por se tratar de uma pessoa próxima da família. Todos são vizinhos em uma favela do bairro.

A polícia também já reuniu relatos de que o coronel Chavarry costumava andar com várias outras crianças. Como presidente da Caixa Beneficente da PM, ele sempre dizia estar ajudando a favela entregando fraldas e enxovais para recém-nascidos, ganhando a confiança de muitos pais da região. A Dcav investiga agora algumas viagens que o oficial teria feito levando essas crianças: “A informação que temos indica que, no mês passado, ele chegou a ficar duas semanas viajando com uma outra menina”, diz Cristiana Bento.

Os funcionários do posto de gasolina também contaram que o acusado estava sempre levando crianças para lanchar no Bob`s que tem no local. “Há uma informação que nos foi dada de que, no passado, ele deixou uma criança com uma moradora dali dizendo que havia sido abandonada por uma mãe drogada. Um ano mais tarde ele foi lá, pegou a criança de volta e nunca mais ela apareceu. Então, precisamos investigar tudo isso a fundo. Não dá para dizer que existe uma rede de tráfico de crianças ou de pedofilia, mas pelo passado dele, precisamos aprofundar o trabalho”.

A delegada se refere a uma prisão em flagrante ocorrida no início dos anos 90, quando Chavarry ainda era capitão da PM do Rio de Janeiro. Na época, ele foi autuado por integrar um esquema de tráfico de crianças ao ser pego com um bebê de apenas três meses. Anos mais tarde ele acabou absolvido na Justiça e, dentro da PM, continuou sendo promovido por antiguidade. Em 1994, foi denunciado mais uma vez pelo Ministério Público, desta vez porque seu nome integrava a famosa lista de propina do jogo do bicho. Ele também se livrou da acusação.

Vídeo: coronel tenta intimidar policiais no momento da prisão

https://www.youtube.com/watch?v=RLHsFNfxI5A

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