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Série ‘Lupin’ emula fórmula de ‘La Casa de Papel’, mas com charme francês

Trama inspirada em personagem da literatura francesa encosta no dramalhão latino, mas ganha pontos por ritmo viciante e protagonismo de Omar Sy

Por Raquel Carneiro Atualizado em 12 jan 2021, 19h51 - Publicado em 12 jan 2021, 17h23

O comecinho da série Lupin, da Netflix, pode levar os versados em ficção policial a torcerem o nariz – mas quem insiste no primeiro de cinco episódios terá uma surpresa. Um faxineiro do Museu do Louvre, em Paris, que deve dinheiro para três bandidões – donos de mais tatuagens do que neurônios –, bola um plano para um roubo mirabolante de um colar milionário, que pertenceu a Maria Antonieta. Em exibição no museu, a peça, estimada em 20 milhões de euros, será leiloada. Não há muitas dúvidas de que o grupo tem pouquíssimas chances de executar com louvor a missão. Como previsto, o roubo dá errado. Ou é o que parece.

Nessa virada a série francesa mostra a que veio e revela que todos, inclusive o espectador, estão sendo enganados. O faxineiro é apenas um dos muitos disfarces do imigrante senegalês Assane Diop (vivido por Omar Sy), um fã da literatura do escritor Maurice Leblanc (1864-1941), criador do astuto ladrão Arsène Lupin. Na adolescência, recém-chegado à França, Diop vê o pai, um chofer, sofrer uma injustiça – ele é acusado de roubar o mesmo colar do cofre do patrão, patriarca da família que, agora, leiloa a peça recuperada. O que começa como uma versão de La Casa de Papel para, em seguida, flertar com Onze Homens e um Segredo, se transforma em uma jornada de vingança pessoal e busca pela verdade.

Omar Sy na série
Omar Sy na série “Lupin”: disfarçado de faxineiro, personagem se vale da invisibilidade da função para tramar roubo milionário – Divulgação/Netflix
Omar Sy na série
Omar Sy na série “Lupin”: personagem da literatura francesa serve de inspiração para série a Netflix – Divulgação/Netflix

Apesar de beber constantemente do formato do dramalhão latino e de abusar de reviravoltas rocambolescas, combinação que fez da série espanhola dos assaltantes mascarados um sucesso mundial, Lupin prende com o ritmo dinâmico, e ganha pontos pelo infalível charme francês. O cenário parisiense somado ao talento e carisma de Omar Sy são incontornáveis. O ator francês de 42 anos burla uma velha regra da dramaturgia europeia: a que diz que apenas pessoas brancas de traços ditos comuns podem assumir papéis como do espião ou do golpista esperto, pois se misturam com facilidade na multidão. Com 1,90m de altura e um porte que seria difícil passar despercebido, Sy refuta essa falácia e exibe todas as suas qualidades de atuação ao vestir diversas personas, desde o faxineiro ao empresário poderoso, de um presidiário até um técnico de informática. Como o próprio diz no início da série, um homem negro com uniforme de faxineiro é, na verdade, a pessoa invisível. E por essa sacada Lupin faz por merecer a audiência estrondosa que o colocou na liderança entre as séries mais vistas no mundo na Netflix esta semana.

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