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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Silas, um anfíbio na Petrobras

O ex-ministro das Minas e Energia Silas Rondeau é um homem de muitos amigos. José Sarney — sempre ele! — é um. Mas não só. Ao tempo em que Dilma Rousseff foi sua colega de Esplanada, constituiu-se uma sólida amizade entre ambos. Também é próximo de Erenice Guerra. Aliás, há uma conversa entre os dois, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 13h04 - Publicado em 23 jan 2011, 06h09

O ex-ministro das Minas e Energia Silas Rondeau é um homem de muitos amigos. José Sarney — sempre ele! — é um. Mas não só. Ao tempo em que Dilma Rousseff foi sua colega de Esplanada, constituiu-se uma sólida amizade entre ambos. Também é próximo de Erenice Guerra. Aliás, há uma conversa entre os dois, que circula na Internet , evidenciando a fraterna intimidade. É aquela em que a então ministra dizia que um dia ganharia dinheiro como consultora (entende-se) para responder a pedidos de investigação do Ministério Público, sempre malfeitos, assegurava. Leiam trecho de reportagem de Daniel Pereira na VEJA desta semana. Volto em seguida.

Em novembro do ano passado, a Petrobras contratou a empreiteira Engevix para construir oito cascos de plataformas que serão usadas na exploração de petróleo na Bacia de Santos. Valor do negócio: 3,4 bilhões de dólares. Foi o 17° contrato assinado entre as partes desde 2007. A Engevix atua em engenharia e construção há 45 anos. Tem uma carteira de grandes clientes governamentais, como Eletrobras, Furnas e Eletronorte, além de escritórios no México, Peru e Angola. Com esse portfólio, é natural que dispute – e vença – concorrências promovidas por uma empresa do porte da Petrobras. O que não parece natural é que, apesar da evidente adequação para se sair vencedora em licitações, a companhia ainda busque ajuda extra na figura do engenheiro Silas Rondeau, ex-ministro de Minas e Energia do governo passado. Rondeau trabalha para a Petrobras e para o grupo Engevix, tendo, portanto, de compatibilizar os interesses nem sempre coincidentes de quem compra e de quem vende serviços. A situação é inusitada e desafia as mais comezinhas regras de gestão empresarial.

Em 2007, Rondeau deixou o comando do Ministério de Minas e Energia depois de ser acusado de receber propina de uma empreiteira suspeita de desviar verbas e fraudar licitações. O ex-ministro saiu da Esplanada, mas preservou o mandato nos conselhos de administração da Petrobras e de uma de suas subsidiárias, a BR Distribuidora. Desde então, vem sendo reeleito, ano após ano, como conselheiro. Os colegiados lhe pagam 6700 reais cada um pela participação em uma reunião por mês. Rondeau também passou a prestar consultorias oficiais à iniciativa privada. Em 2008, foi contratado pela Desenvix, uma empresa do grupo Engevix. A parceria virou casamento em novembro passado, duas semanas após a assinatura do contrato bilionário entre seus dois empregadores. O ex-ministro foi eleito integrante do Conselho de   Administração da Desenvix. Portanto, como um anfíbio. Rondeau passou a receber remuneração do carro-chefe das estatais brasileiras e de uma de suas principais parceiras. Conflito de interesses?

Voltei
A severidade de Dilma Rousseff vem sendo cantada em prosa e verso —  por enquanto, lírico. Certa imprensa parece se preparar para fazer o poema épico. Pois é… Leia a íntegra da reportagem na revista.

Na sexta, o Estadão noticiou que casas do programa “Minha Casa, Minha Vida” estão sendo ilegalmente revendidas. Na manchete de sábado, o jornal informava que Dilma mandara intervir e parar com a farra. Muito justo! O impróprio é impróprio, para pobre ou para rico. O caso acima pediria igual celeridade, não? Ser duro com pobretão que faz coisa errada é certo, mas é fácil. Vamos ver se Dilma sabe também fazer o difícil.

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