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Ou Haddad mentiu no debate da Band ou mente em seu programa de governo. E demonstro por quê

Abaixo, caros leitores, um flagrante do jeito petista de fazer política. É impressionante! Sim, leitores, terei de recorrer àquela velha e forte palavra, mas não há outra: Fernando Haddad está mentindo em seu programa de governo ou mentiu ontem no debate da Band? Caso ele vença a eleição para a Prefeitura de São Paulo, eu […]

Abaixo, caros leitores, um flagrante do jeito petista de fazer política. É impressionante!

Sim, leitores, terei de recorrer àquela velha e forte palavra, mas não há outra: Fernando Haddad está mentindo em seu programa de governo ou mentiu ontem no debate da Band? Caso ele vença a eleição para a Prefeitura de São Paulo, eu espero que esteja se comportando como mentiroso no programa, não no debate. “Existe a hipótese, Reinaldo, de não ser nem uma coisa nem outra?” Não! Não existe! A que estou me referindo?

O programa de governo de Fernando Haddad promete pôr um fim à parceria da Prefeitura com as Organizações Sociais (OSs) na administração de hospitais públicos municipais. Essa pareceria garantiu um dos maiores avanços na saúde nos últimos tempos. Com raras, raríssimas exceções, o serviço oferecido pelos hospitais administrados por elas tem qualidade superior ao daqueles geridos pelo SUS.

O programa do Haddad não quer mais hospitais públicos administrados pelas Irmãs Marcelinas, pela Congregação das Irmãs de Santa Catarina, pelo Einstein, pelo Sírio-Libanês! Nada disso! Caso o petista vença a eleição e ponha em prática seu programa, assistiremos ao caos na saúde. O PT recorreu ao Supremo, diga-se, para impedir esse tipo de parceria no Brasil inteiro.

Ontem, no debate da Band, com a cara mais lavada do mundo, Haddad negou essa intenção. Negou o que está explícito no seu programa, e vou demonstrá-lo. Como lembrou Serra no confronto entre os dois, “trinta e dois mil profissionais de saúde trabalham em entidades parceiras da Prefeitura em muitas atividades da saúde”.

O programa
Este blog é de opinião, como todos sabem. Mas é obcecado pelos fatos. O coordenador da área de saúde de Haddad é Carlos Nader. Ele tem um pensamento sobre as OSs: elas seriam uma “afronta”, uma “praga que tem de ser duramente combatida”. Para ele, essa política tem de ser “superada e revertida”.

O candidato Haddad exercitou ontem o esporte predileto dos de sua espécie política: negar as evidências. Vamos ver o que está escrito nas páginas 45 e 46 de seu programa de governo (em vermelho). Terá ele lido?

D) Retomar, sem prejuízo dos condicionantes contratuais legais e após providências  administrativas necessárias, a direção pública da gestão regional e microrregional do sistema municipal de saúde;
E) Reforçar a gestão pública dos serviços públicos municipais de saúde e, gradativamente, a direção das unidades de saúde estatais do município (…):
F) Adotar alternativas organizacionais da administração pública indireta como mais um caminho para viabilizar, agilizar e proporcionar abrangência ao processo de retomada da gestão pública da saúde no município.

Voltei
É fim da parceria com as OSs, sim!, o que seria um desastre. Se eleito, Haddad tem duas saídas: ou joga seu programa de saúde no lixo e mantém o sistema em curso ou aplica o seu programa e destrói o sistema de saúde. E aí? Haddad mentiria para evitar o desastre ou cumpriria o programa? 
Aquele “sem prejuízo das condicionantes contratuais” quer dizer apenas que os contratos seriam cumpridos. Uma vez encerrados, o prefeito daria um pé no traseiro das OSs. Tudo voltaria para a gestão pública — com a eficiência conhecida…

Ontem, reitero, Haddad tentou negar o programa que ele mesmo assinou. À tarde, tinha sido indagado a respeito por repórteres. Sabem o que respondeu? Que manteria as parcerias porque é “mais aberto do que o partido”. Ou por outra: está confessando que não responde nem mesmo pelo programa que apresentou como seu. Sei lá se ele vai ser eleito. Pode até ser! Neste blog, as mentiras não vão passar em branco.

O coordenador de Haddad
Não é que o coordenador de Haddad para a saúde seja apenas um crítico da OSs. Ele é um militante extremista da causa. Preside, por exemplo, o “Setorial Estadual de Saúde do PT-SP” (adoro esses nomes petistas que lembram o tempos dos sovietes…)

Esse setorial produziu um documento em que se lê o seguinte (em vermelho):
“A entrega do SUS à gestão privada por meio de Organizações Sociais de Saúde, o desperdício de recursos públicos, a entrega de 25% dos leitos públicos do estado aos planos privados, a não valorização dos trabalhadores estaduais de saúde, a exclusão de aliados históricos do SUS e os entraves colocados ao livre exercício da cidadania são parte de uma visão de reforma do Estado que deve ser duramente combatida pelo PT”. A estrovenga petista está aqui.

Ele também tem um blog. Está escrito lá: “este ano, certamente haverá um duro debate para tentar garantir a reversão do que se fez na cidade de São Paulo com o campo da Saúde nos últimos oito anos”.

Exagero de interpretação?
Exagero de interpretação? Nada disso! Ele fez um pronunciamento no XII Encontro da União dos Movimentos Populares de Saúde, no dia 19/11/2011. Se você quiser ouvi-lo, clique aqui. Ele deixa claro que não basta melhorar o serviço que já existe e ter sobre ele melhor controle. Quer mais! Leiam:

Nós não queremos simplesmente ter um controle mais efetivo e de melhor qualidade de como eles estão gastando o dinheiro e de como eles estão fazendo a assistência à população. Nós temos que formular uma alternativa de transição da mesma maneira que nós formulamos na época do PAS. Naquela época, o desafio era: “é possível superar o PAS”? E nós superamos. A questão hoje é: “É possível superar a gestão privatizada do SUS que temos hoje na cidade de São Paulo”? Essa é a questão.”

Comparar o atual sistema com o famigerado PAS é burrice ou má-fé intelectual. O PAS foi uma invenção desastrada de Paulo Maluf — hoje aliado de Fernando Haddad.

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