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Com quantas mentiras se faz uma “Comissão da Verdade”?

Ai, ai… Lá vamos nós. Se alguém tem de dizer certas coisas, por que não eu? É o que me pergunto amiúde, cumprindo, sempre que o tempo permite, a minha sina… A dita Comissão da Verdade segue procedendo de fato, mas não de direito, a uma revisão da Lei da Anistia. Ainda que suas “descobertas” […]

Ai, ai… Lá vamos nós. Se alguém tem de dizer certas coisas, por que não eu? É o que me pergunto amiúde, cumprindo, sempre que o tempo permite, a minha sina… A dita Comissão da Verdade segue procedendo de fato, mas não de direito, a uma revisão da Lei da Anistia. Ainda que suas “descobertas” não possam ter consequências penais, é evidente que se tenta um caminho alternativo para que, na prática, se apliquem punições. Faço um parêntese longo, em negrito, antes que siga.

Em sua passagem pelo Brasil, a blogueira cubana Yoani Sánchez visitou, em companhia do governador Geraldo Alckmin, o “Memorial da Resistência”. O que é ele? Reproduzo o primeiro parágrafo do texto de apresentação, que está em sua página na Internet:
“O Memorial da Resistência de São Paulo, uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo por meio de sua Secretaria da Cultura, é uma instituição dedicada à preservação de referências das memórias da resistência e da repressão políticas do Brasil republicano (1889 à atualidade) por meio da musealização de parte do edifício que foi sede, durante o período de 1940 a 1983, do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo – Deops/SP, uma das polícias políticas mais truculentas do país, principalmente durante o regime militar. “

Iniciativa louvável. Ali também se conta a história da “resistência” daqueles que comungavam dos ideais dos Irmãos Castro, em Cuba, que são os mesmos daquela corja que vaiava Yoani no Brasil, impedindo-a de falar. Alguém teve o bom senso de perguntar à cubana se ela esperava ter em Cuba, algum dia, algo parecido com uma “Comissão da Verdade” para contar a história da ditadura comunista. Ela se mostrou incrédula. Parte da “resistência” era, como se sabe, luta para instaurar um regime comunista no Brasil. Se essa “luta” não tivesse ido parar no museu, poderia ser história ativa, com a consequência conhecida quando comunistas chegavam ao poder: milhares de mortos; com frequência, milhões! E, como se sabe, não haveria museu.

Corolário: ao longo da história, quando os comunistas venceram, apagaram qualquer memória virtuosa daqueles que os combateram. Quando perderam, como no Brasil, dão um jeito de se transformar em heróis. Nota para não dar margem a entendimentos enviesados: o museu também traz farto material sobre a luta pacífica contra o regime. Democratas combateram a ditadura, e foram eles que a venceram, não os comunistas. Segunda nota: não há justificativa moral plausível para torturar ou matar pessoas já subjugadas.

Fim do parêntese
Vamos voltar. Já sabemos, então, que “Comissão da Verdade” é, na prática, um comitê instaurado pelas esquerdas para glorificar-se, demonizar os inimigos e transformar seus próprios defeitos em virtudes. E ISSO NÃO QUER DIZER QUE O REGIME MILITAR NÃO TENHA COMETIDO VIOLÊNCIAS. COMETEU! MAS ME PERGUNTO ONDE ESTÃO AS COMISSÕES DA VERDADE DOS PAÍSES QUE SAÍRAM DO SOCIALISMO, O REGIME MAIS HOMICIDA JAMAIS CONHECIDO PELO HOMEM.

Muito bem. Leiam agora trechos do que vai no Globo. Volto em seguida.
Por Evandro Éboli:
Em reunião na manhã desta segunda-feira, a Comissão da Verdade revelou que já identificou “várias dezenas” de integrantes da repressão. São militares, policiais e até civis que atuaram durante a ditadura. Segundo a comissão, algumas dessas pessoas já foram ouvidas e outras ainda serão, inclusive por meio de convocação. Quem se recusar a comparecer pode ser processado por desobediência. Até agora já foram realizadas 40 oitivas pela comissão da verdade.
No encontro com representantes de comitês da verdade dos estados, os integrantes da comissão nacional fizeram relatos sobre o andamento dos trabalhos. Durante a apresentação do grupo que trata da estrutura da repressão, o assessor que fez a explanação, Guaracy Mingardi, falou sobre os membros da repressão.
“Já identificamos várias dúzias, não foram duas ou três, de membros da repressão. Com nome, RG e endereço”, disse Mingardi, que assessora o grupo coordenado por José Paulo Cavalcante, um dos integrantes da comissão.

Em sua explanação durante a reunião, a advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha, ex-advogada da presidente Dilma Rousseff e coordenadora do grupo “Golpe Civil Militar de 1964” da comissão, afirmou que os primeiros levantamentos sugerem que cerca de 50 mil pessoas foram presas em 1964, no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e Pernambuco.
(…)
“O uso dessa violência permitiu ao regime militar construir o estatuto de um Estado sem limite repressivo. Com três consequências: inoculou a tortura como forma de interrogatório nos quarteis militares, a partir de 1964; fez da tortura força motriz da repressão praticada pelo Estado brasileiro até pelo menos 1976; possibilitou ao estado executar atos considerados inéditos em nossa história política: a materialização de atos de tortura, assassinato, desaparecimento e sequestro”, disse Rosa.

Voltei
Se a fala de Rosa Maria é essa mesmo, infelizmente, ela está falando uma mentira. Se realmente disse isso, está esmagando os fatos com a ideologia. O Estado Novo getulista tinha recorrido rigorosamente a esses métodos antes da ditadura militar. “Ah, isso importa?” Deve importar, não é?, ou ela não teria dito tal bobagem.

Está em curso há tempos uma fantasia estúpida, segundo a qual a tortura a presos comuns nas cadeias também é herança do regime militar, da ditadura de 1964. Não é, não! Basta ler “Memórias do Cárcere”, de Graciliano Ramos. o Estado Novo torturou e matou com método e determinação. Ocorre que Getúlio virou depois herói de amplos setores das esquerdas. A Comissão da Verdade, tudo indica, inventará a mentira adicional de que a tortura começou a ser aplicada no Brasil pelo regime instituído em 1964… 

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